Transformação digital nas empresas: PMEs seguem em estágio inicial

Publicado em 11/12/2019 por Lucca Rossi

transformação digital nas empresas

Não há dúvida de que o brasileiro vive conectado: segundo dados da última pesquisa anual do mercado brasileiro de TI feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), são 230 milhões de smartphones em uso no país. Somados aos notebooks e tablets, 324 milhões de dispositivos portáteis estão em operação, o que representa 1,6 por habitante.

Mas e no mundo do trabalho, podemos afirmar que o Brasil já entrou na era das empresas digitais? Os negócios conhecem as novas tecnologias? Estão apostando por softwares na nuvem ou ainda preferem os programas instalados nos computadores?

Com o objetivo de saber como estão vivendo a era da transformação digital nas empresas, o Capterra fez essas e outras perguntas a 288 profissionais envolvidos na gestão de micro, pequenos e médios negócios de todo o país. O levantamento foi feito entre os dias 18 e 26 de novembro (veja a metodologia completa do estudo no final do texto).

Transformação digital nas empresas: destaques do estudo

  • 95% dos ouvidos afirmam que suas empresas já iniciaram o processo de transformação digital
  • 46% estão em uma fase intermediária, em que as novas tecnologias começam a mudar a maneira como o negócio é gerido
  • Apenas 25% das empresas afirmam que a transformação digital está entre seus três principais desafios
  • A maioria das empresas considera que deveria investir mais neste processo

Para obter uma fotografia ampla do processo de transformação digital entre as PMEs, quisemos saber:

“Entendendo que a transformação digital se refere ao melhor uso da tecnologia, à introdução de novas tecnologias e softwares nos negócios e à criação de novos modelos de negócio digitais, em qual fase do processo de transformação digital você considera que está sua empresa?”

Apenas 4% dos ouvidos afirmaram ainda não ter iniciado o processo, enquanto 1% desconhece a informação. A maioria disse estar entre a fase inicial (19%), em que a empresa adota novas tecnologias, mas segue com os mesmos processos, e intermediária (46%), onde as novas tecnologias começam a mudar a maneira como o negócio é gerido.

Somente 8% afirmou já ter atingido um estado avançado de transformação digital, em que as mudanças permitiram que a empresa reinventasse seu modelo de negócio. O restante (22%) considera estar em um estágio avançado, onde as novidades tecnológicas são usadas de maneira estratégica e como um diferencial pela empresa.

Nuvem ganha destaque

Em um plano de infraestrutura, o nível de despesa na nuvem no Brasil ainda está distante de países como os Estados Unidos, líder na área e responsável por mais da metade dos gastos em serviços de nuvem pública do mundo, segundo a Gartner.

Os dados da consultoria, no entanto, desenham uma boa perspectiva para o futuro próximo. Segundo a Gartner, o Brasil precisaria de 1,8 anos para alcançar o mesmo nível de gasto na nuvem (em relação ao total aplicado em TI) que os americanos em 2016, à frente de países como Austrália (que precisaria de 2,7 anos), Alemanha (4,5 anos) e Itália (7 ou mais anos).

A informação é interessante para observar a questão das novas tecnologias em perspectiva, já que, ainda segundo a Gartner, as taxas de adoção da nuvem põem em evidência os países onde modelos de negócios disruptivos da próxima geração emergirão, o que pode ter um efeito em todos os tipos de negócios, inclusive nas PMEs.

infográfico 2 transformação digital nas empresas

Por outro lado, voltando ao plano dos softwares, os dados levantados pelo Capterra mostram que, apesar da adoção massiva de programas estabelecidos no mercado, como Office (92%) e Adobe (58%), as soluções na nuvem começam a ser uma opção, já que mais da metade (52%) afirma utilizar o Google Docs/G-Suite, por exemplo.

Neste sentido, a aproximação à nuvem pode ser notada também quando se observa o emprego de dispositivos móveis entre as PMEs: 85% dos entrevistados afirmam usar celulares ou tablets no trabalho, e as plataformas do Google, como o Drive ou o Gmail, aparecem na segunda colocação entre os apps mais usados, somente atrás do WhatsApp.

Os dados mostram, portanto, uma adoção mais natural deste tipo de novidade tecnológica, que pode muitas vezes não ser percebida como uma transformação substancial pelas empresas, dada a popularidade das ferramentas do Google.

softwares mais usados empresas digitais

Benefícios da transformação digital

A introdução de novidades tecnológicas é muitas vezes conectada a tecnologias disruptivas, como a Internet das Coisas (IoT na sigla em inglês), a Inteligência Artificial (IA) ou a Realidade Aumentada. A realidade, porém, mostra que inovar pode ser algo muito mais próximo e acessível ao pequeno empresário.

A simples adoção de softwares na nuvem —que, como mostramos, ganha destaque entre as PMEs— ou de aplicativos para dispositivos móveis traz diversos benefícios ao dia a dia das PMEs.

infográfico transformação digital nas empresas

É algo que pode ser observado quando perguntamos às PMEs quais os benefícios obtidos ao adotar novas tecnologias. Em primeiro lugar, para 69% dos ouvidos, aparece o aumento da produtividade e da eficiência (veja gráfico acima).

Aqui, o uso do Whatsapp e das plataformas do Google nos dispositivos móveis (as preferidas pelos entrevistados) pode ter influência direta, ao permitir que atividades que antes requeriam mais horas de trabalho ou a presença física do trabalhador no escritório (como responder um email ou fazer uma chamada) possam ser feitas de qualquer lugar ou substituídas por uma mensagem rápida.

O Whatsapp, em particular, pode ter forte impacto na melhora no relacionamento com o cliente e nas vendas. Prova disso é que ganha corpo o uso do app por empresas depois da chegada ao país no ano passado da sua versão Business (disponível gratuitamente para Android e iOS).

Tecnologias disruptivas: conhecimento ainda é baixo

De um modo geral, o nível de conhecimento das principais novas tecnologias ainda é baixo, com exceção dos softwares na nuvem, conhecidos ou muito conhecidos por 71% dos entrevistados.

O Capterra quis saber o nível de familiaridade de quem trabalha nas PMEs com outras sete novas tecnologias, além dos softwares na nuvem: Big Data, Blockchain, IoT, Chatbots, IA, impressão 3D e realidade virtual e aumentada.

Em relação às três primeiras, a porcentagem dos que afirmavam conhecer pouco ou desconhecer tal tecnologia ronda os 50%, alcançando 53%, 50% e 43% respectivamente.

Somente para três das oito opções o número de ouvidos que afirma ter um alto nível de conhecimento supera a marca de 10% do total: software na nuvem (33%), impressão 3D (16%) e IA (12%).

tecnologias disruptivas infográfico

Tecnologia a ser adotada depende do negócio

Os dados levantados pelo Capterra apontam que as PMEs brasileiras estão decididas em sua aposta pelo digital, mas o investimento em novas tecnologias ainda segue nos estágios inicial e intermediário para a maioria delas.

O principal freio aos investimentos envolve questões financeiras e técnicas, velhas conhecidas do empresariado brasileiro: para 35%, as limitações no orçamento são a principal dificuldade, seguida pela falta de conhecimento técnico dos líderes ou da equipe (34%).

infográfico 3 transformação digital nas empresas

É importante lembrar que não há fórmula a seguir na hora de investir em novas tecnologias. Tudo depende do tipo de negócio, da área de atuação, do local onde a empresa está localizada, entre outros fatores.

O que as PMEs devem sempre levar em conta são as necessidades mais urgentes do negócio, para assim buscar o tipo de solução que poderá ajudá-la da melhor forma.

Empresas que buscam diversificar as formas de atendimento podem considerar o uso de softwares de chatbot, enquanto aquelas que ainda seguem o modo antigo de relacionar-se com os clientes têm a opção de adotar um CRM.

principais resultados transformação digital nas empresas


Metodologia

Para reunir os dados presentes neste estudo, o Capterra realizou um levantamento online entre os dias 18 e 26 de novembro em que ouviu 288 profissionais envolvidos na gestão de micro, pequenas e médias empresas de todo o país. O Capterra utilizou definição adotada pelo Sebrae para a classificação das empresas de acordo com o número de trabalhadores, detalhada a seguir: serviços e comércio  —microempresa (até 9 pessoas ocupadas), pequena empresa (de 10 a 49 pessoas ocupadas), média empresa (de 50 a 99 pessoas ocupadas); indústria microempresa (até 19 pessoas ocupadas), pequena empresa (de 20 a 99 pessoas ocupadas), média empresa (de 100 a 499 pessoas ocupadas). Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.

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