59% já experimentaram pagamento por aproximação de celular

Publicado em 31/01/2020 por Lucca Rossi

pagamento por aproximação

O consumidor brasileiro está cada vez mais deixando a carteira de lado e tirando o celular do bolso na hora de efetuar pagamentos, tanto em lojas físicas como online. 

Esta é a conclusão de um estudo realizado pelo Capterra para entender os hábitos dos compradores em relação às novas tecnologias móveis de pagamento, como as chamadas carteiras digitais ou com código QR.

Para o levantamento, foram ouvidos 514 consumidores de todo o país entre os dias 7 e 10 de janeiro. Um dos critérios de seleção era que os entrevistados deveriam integrar o mercado de trabalho (veja a metodologia completa do estudo no final do texto).  

Os dados apontam que 59% dos entrevistados já realizaram operações aproximando o celular às maquininhas, enquanto 57% pagaram com código QR, tecnologia que usa a câmera dos aparelhos (46% já experimentaram as duas).

No caso do pagamento por aproximação, a adoção sobe entre quem ganha mais: chega a 73% das pessoas com renda familiar entre 10 e 20 salários mínimos e alcança 71% daquelas com ingressos familiares de mais de 20 salários mínimos.  

Rapidez e facilidade na hora de efetuar as transações estão entre os principais motivos de adoção tanto entre os que experimentaram o pagamento por aproximação (83% e 76%, respectivamente) como o código QR (71% e 75%, respectivamente). 

infográfico principal

Destaques do estudo sobre pagamentos digitais

  • Quase 60% dos entrevistados já experimentaram tanto o pagamento por aproximação (também conhecido como contactless) como o com código QR.
  • Metade dos entrevistados que ainda não usaram o contactless apontam não tê-lo feito devido à falta de máquinas preparadas nos estabelecimentos que mais frequentam.   
  • 85% dos que ainda não experimentaram o pagamento com código QR pretendem fazê-lo em 2020.
  • 95% do total de entrevistados considera que tanto as lojas físicas como as virtuais deveriam estar melhor preparadas e/ou equipadas para processar pagamentos digitais.

Varejo não está preparado para novos meios de pagamento

O atraso tecnológico de parte do varejo é o grande responsável de que os consumidores deixem de pagar com celular, aponta o estudo do Capterra.   

Entre os que ainda não utilizaram o contactless, 53% apontam a falta de máquinas com a tecnologia nos estabelecimentos que mais frequentam como motivo principal para ainda não tê-lo adotado. Já entre os que nunca utilizaram o código QR, 69% indicam o mesmo motivo como razão principal para não usá-lo.

pagamento com código QR não pagam

pagamento por aproximação não pagam

A importância dos estabelecimentos prestarem atenção na renovação das maquininhas de cartão para não ficarem atrás da concorrência fica mais evidente quando observamos o número de consumidores que pretende utilizar essas novas tecnologias pela primeira vez nos próximos doze meses: 86% dos que ainda não pagaram usando o contactless pretendem fazê-lo neste ano; entre os que ainda não utilizaram o código QR, 85% diz ter vontade de experimentá-lo em 2020. 

pagamento com código QR quer pagar

pagamento por aproximação quer pagar

Seja em lojas físicas como na rede, os consumidores não têm dúvida: o varejo precisa se adaptar às novidades. Segundo o levantamento do Capterra, 95% do total de entrevistados consideram que tanto as lojas físicas como as virtuais deveriam estar melhor preparadas e/ou equipadas para processar pagamentos digitais (com código QR ou por aproximação).

A distância que se observa entre o desejo de optar por esses meios de pagamento por parte dos consumidores e o processo de adesão às novas tecnologias pelo varejo é uma realidade, aponta o especialista em pagamentos Frederico Trevisan, fundador da Conectre, que promove cursos sobre o tema.

“Ainda há gaps, principalmente fora dos grandes centros, porém é questão de tempo. Pouco tempo. A tecnologia chega cada vez mais rápido. E, como o desejo do consumidor é grande, os lojistas que não tiverem essas soluções terão gaps nas vendas também”, destaca Trevisan.

Segundo o especialista, o desafio não é apenas tecnológico mas também cultural.

“Muitas vezes as lojas já estão habilitadas a aceitar o pagamento, mas quem ‘pilota’ a maquininha ainda não experimentou. Os consumidores são os grandes educadores! Uma vez que se disponibilizam a ensinar os ‘pilotos’ dos estabelecimento, estes adoram a novidade e querem aprender”, destaca.

lojas melhor preparadas

Além das máquinas e de funcionários preparados, os comerciantes devem estar atentos aos sistemas PDV (o conhecido frente de caixa) utilizados. Entre os benefícios de ter máquinas conectadas a um bom sistema de frente de caixa estão:

  • Agilizar o atendimento
  • Controlar os gastos de maneira mais eficiente
  • Padronizar as operações e evitar erros

Vale lembrar que existem opções de softwares do tipo voltados exclusivamente para o varejo e para determinados tipos de negócios, como restaurantes, padarias e bares.

O PDV é um aliado no gerenciamento das diversas formas de pagamento oferecidas pelos estabelecimentos, não somente os eletrônicos. Ainda que os dados levantados pelo Capterra assinalem uma aposta do consumidor pelas novas tecnologias, o dinheiro ainda segue sendo muito utilizado. Entre os entrevistados que já experimentaram o pagamento por aproximação e o código QR, 80% afirmam também pagar suas compras com dinheiro, ainda que o cartão de crédito (89%) e débito (89%) sejam as opções preferidas.

pagamento quem já usou

Boom dos bancos digitais

O aumento do número de brasileiros que optam por novas formas de pagamento vem acompanhado de um verdadeiro boom dos bancos digitais nos últimos anos. A lista de novos atores no mercado é grande: Nubank, Banco Inter, Neon, Banco Next, Banco Original e Agilbank são alguns deles. E o movimento segue ganhando fôlego em 2020: o último a apostar por uma conta digital para consumidores foi o Ebanx, unicórnio de Curitiba que até então atuava como plataforma de pagamentos para empresas. 

Como funciona o contactless e o código QR

pagamento por aproximação

pagamento com código QR

Os meios de pagamento mais usados nas compras online

O Capterra também quis investigar a relação dos consumidores brasileiros com as novas formas de pagamento para suas transações online.

Entre os que fizeram alguma compra online de bens físicos (como roupas, comida ou eletrônicos) usando o computador ou dispositivos móveis no último ano, cai a porcentagem dos que afirmam adotar novas tecnologias em comparação com os dados referentes a compras em lojas físicas.

O meio preferido para esse tipo de compra, segundo a pesquisa, é o cartão de crédito, adotado por 90% dos ouvidos, seguido pelo boleto bancário (58%). O pagamento com carteira digital aparece somente na terceira posição, utilizado por 47% dos entrevistados. O código QR ocupa a última colocação (25%), atrás da transferência bancária (27%).

“As integrações para o ecommerce são mais complexas e por isso ainda têm uma adoção menor. Porém, o benefício é maior! Essas tecnologias vão proporcionar um salto nas transações online, uma vez que trarão segurança. O grande benefício do QR Code e da tokenização, tecnologia utilizada pelas carteiras digitais, é possibilitar a autenticação do usuário, similar ao que o chip e a senha foram para as maquininhas”, destaca Trevisan.

Apostar pelas carteiras digitais trata-se também de uma oportunidade: segundo pesquisa recente da empresa de tecnologia financeira FIS, a expectativa é que, em 2022, o comércio feito por meio de dispositivos móveis chegue a US$ 17 bilhões (cerca de R$ 71 bilhões) no Brasil.

No caso das lojas virtuais, isso passa pela busca de sistemas de ecommerce que ofereçam a opção para os clientes adotarem tais novidades.

compras online

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Metodologia da pesquisa

Para reunir os dados presentes neste estudo, o Capterra realizou um levantamento online entre os dias 7 e 10 de janeiro em que ouviu consumidores de todo o país. O questionário foi enviado para 731 pessoas, das quais 514 foram selecionadas. Para serem qualificados, os entrevistados (49% deles mulheres e 51% homens, de idades entre 20 e 69 anos) deveriam integrar o mercado de trabalho (empregados a tempo integral/parcial, empreendedor e trabalhadores autônomos). Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.