Cultura de inovação: crie processos para acelerar as ideias

Publicado em 12/02/2020 por Maria Augusta Orofino

cultura de inovação

Vamos direto ao ponto: cultura de inovação se faz com troca de conhecimento, comunicação clara da arquitetura do negócio, quebra de hierarquias e criação de ambientes que fomentem a criatividade. Em um primeiro momento a resposta para a pergunta que abre o artigo parece negativa, não é mesmo? Afinal, existe algo que barre mais as ideias inovadoras do que uma série de processos para executar uma atividade? Também concordo que não.

No entanto, não é sobre os processos engessados que estamos falando. Cultura de inovação tem a ver com quebrar muros e regras, além de desenvolver um ambiente fértil para que as ideias nasçam e prosperem. E aqui estamos nos referindo a dois pontos importantes: o primeiro deles é não colocar impedimentos para que os colaboradores sugiram melhorias, o segundo é disponibilizar um espaço menos formal para que a equipe tenha liberdade e ferramentas para criação.

Nesse caso, os processos são importantes porque não basta apenas falar para a equipe criar novas ideias e encher o ambiente de puffs, poltronas reclináveis, quadros para desenhar estratégias de design thinking e jogos. É necessário também alguém para atuar nesse meio de campo, seja oferecendo treinamentos para desenvolver novas habilidades nos colaboradores ou até mesmo fazendo uma gestão de tempo para que os autores do projeto de inovação tenham  espaço na agenda para participar dos momentos de colaboração.

Laboratórios de inovação e a materialização das novas ideias

Empresas de diferentes segmentos estão investindo em laboratórios de inovação baseados no tripé tempo, espaço e liberdade para atingir os objetivos traçados em seus planos de negócio. A Renault, por exemplo, além das poltronas, quadros e itens de papelaria também incluiu impressoras 3D, máquinas de cortar a laser e utensílios de marcenaria em seus laboratórios. A ideia central é materializar uma ideia para que possa ser validada com a equipe antes de seguir para a implementação.

Outras empresas que investiram em laboratórios de inovação são: Coca-Cola e Walmart (varejo), New York Times (comunicação) e Hospital Albert Einsten e Johnson & Johnson (saúde).

Mas não é preciso ser nenhum gigante da tecnologia para criar processos que estimulem novas ideias e promovam a cultura de inovação. Empresas de grande porte têm investido nesses ambientes porque além de se aproximarem da cultura da lean startup também sofrem mais pressão do mercado para desenvolverem novos produtos e evitarem a disrupção digital.

Quem já nasceu digital e com a estrutura enxuta está mais acostumado à rotina de testes e experimentação. Mas, independente do tamanho da organização, o objetivo é um só: buscar novas metodologias para que os processos sejam colaborativos, ágeis e gerem resultados.

Confira abaixo algumas dicas para tornar os processos mais colaborativos e inovadores:

Cultura de inovação na prática

1. Utilize metodologia ágeis

Uma das metodologias mais conhecidas é o Scrum, que nada mais é do que a organização e distribuição das muitas atividades de um projeto entre a equipe. O objetivo é colocar o projeto para rodar o mais rápido possível com qualidade e transparência. Não precisa de muito para começar a utilizá-lo: um quadro ou uma ferramenta como o Trello são itens que ajudam a desenhar as muitas etapas.

O responsável por essa organização é o dono do projeto. É ele quem decide o time que fará parte do projeto, além de priorizar todo o backlog de atividades de cada sprint. Um sprint é o tempo determinado para que as equipes cumpram as tarefas e, como um dos pilares do scrum é a transparência, reuniões semanais e diárias são fundamentais para checar o andamento do projeto.

Se você quiser saber mais sobre o Scrum antes de implementar na sua empresa, recomendo a leitura do livro: “Scrum. A Arte de Fazer o Dobro do Trabalho na Metade do Tempo”, de Jeff Sutherland.

2. Crie uma agenda que otimize a criação

Outra metodologia bastante difundida para tirar ideias do papel de forma rápida é o design sprint. Ela foi criada por Jake Knapp, da Google Venture, e resume o processo de criação de novas ideias em apenas cinco dias, mas com uma agenda inteiramente focada em responder às questões críticas, prototipagem e testes com consumidores finais.

É claro que, para que o design sprint dê certo é necessário que você já tenha um time e o desafio bem definidos, além de tempo e espaço para conduzir as atividades. A agenda é a seguinte:

  • Segunda-feira: mapeie todas as informações que levem ao produto final. Provavelmente, cada membro da equipe possui uma informação diferente. Vendedores e analistas de marketing contam com informações que desenvolvedores não têm. Portanto, tenha o cuidado de montar um time diverso! Afinal, é nesta etapa que todos aprenderão sobre o problema.
  • Terça-feira: faça esboços. Uma ideia é colocar o time para trabalhar de forma separada para focar nos detalhes. Depois de rabiscar as ideias, a equipe se une para votar, ajustar e aperfeiçoar as melhores soluções encontradas.
  • Quarta-feira: dia da decisão. Não há protótipos sem decisões. Portanto, a quarta é dia de escolher qual solução será prototipada. Aqui entram storyboard e a escolha dos participantes para os testes no final da semana.
  • Quinta-feira: dia de respirar fundo e elaborar o protótipo em pelo menos oito horas de trabalho.
  • Sexta-feira: é o dia do protótipo ir para teste com os clientes finais. Nesta etapa, as anotações são fundamentais, já que muitas ideias darão certo e outras nem tanto. O importante é encontrar padrões e opiniões que farão diferença na entrega do produto final e validar a ideia.

Para saber mais sobre o design sprint e verificar se a metodologia faz sentido para a sua empresa, recomendo a leitura do livro: “Sprint. O Método Usado no Google para Testar e Aplicar Novas Ideias em Apenas Cinco Dias”, de Jake Knapp.

3. Gestão de tempo para criatividade

Duas dicas de ouro para que as ideias saiam do papel na sua empresa são: flexibilidade e criar espaço nas agendas dos colaboradores para participar de projetos de inovação. Por mais que a autogestão do tempo seja uma das soft skills mais desejadas do mercado, o time não fará milagre se estiver a semana de trabalho preenchida com atividades do dia a dia.

Alguém é importante para o projeto de inovação da empresa? Traga para perto, ofereça recompensas e não esqueça de apresentar o erro como parte importante do processo.

Por fim, não se esqueça que a inovação deve ser um processo dinâmico. Quebre os muros, dissolva as hierarquias, dê liberdade para o novo e monitore. Fazendo assim, não demorará muito para a cultura de inovação se enraizar e, como consequência, os resultados começarão a aparecer.

Boa jornada!


foto Maria Augusta OrofinoMaria Augusta Orofino é palestrante e facilitadora de workshops empresariais. Tem por propósito ampliar a capacidade de agir de pessoas e organizações por meio do compartilhamento do conhecimento e da cocriação de soluções que impactem positivamente os resultados, promovendo a inovação de maneira sustentável. Já capacitou mais de 10 mil pessoas nos últimos oito anos. Palestrante TEDx. É coautora dos livros “Business Model You” e “Ferramentas Visuais para Estrategistas”. Autora do site www.mariaaugusta.com.br.


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