PMEs confiam mais em fintechs do que em instituições financeiras tradicionais

Publicado em 12/08/2020 por Lucca Rossi

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As pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras que adotam fintechs têm mais confiança nos serviços financeiros que utilizam do que aquelas que continuam apostando apenas por corporações tradicionais, como bancos.

É o que aponta pesquisa realizada pelo Capterra sobre a adoção das startups inovadoras da área financeira entre as PMEs brasileiras. Para o levantamento, o Capterra ouviu 349 gerentes responsáveis pelas áreas financeira e de contabilidade ou envolvidos diretamente na tarefa nas empresas em que trabalham.

Segundo o estudo, 71% das PMEs que utilizam fintechs têm um nível de confiança alto (55%) ou muito alto (16%) nos serviços contratados. Em contrapartida, entre as empresas que usam instituições financeiras tradicionais, os números caem para 28% e 4% dos entrevistados, respectivamente. 

O que são fintechs? 

As fintechs são as startups que oferecem serviços inovadores na área das finanças por meio de novas tecnologias. A explicação está no próprio termo: fin, de finanças e tech, de tecnologia em inglês. Elas podem ser um serviço ou um software na nuvem, como sistemas de pagamentos e de contabilidade ou ERPs, por exemplo.

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Fintechs para empresas ganham espaço

A aposta pelas fintechs para empresas ainda não é unânime entre as PMEs, mas as startups de finanças estão ganhando espaço entre os pequenos empresários. 

Segundo o estudo, metade (51%) do total de entrevistados afirmou que os seus negócios utilizam os serviços de uma empresa do tipo para uma ou mais das sete seguintes áreas: pagamentos, gestão financeira/contabilidade, empréstimo/negociação de dívidas, investimentos, blockchain e bitcoin, seguros e financiamento coletivo.

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Entre aquelas empresas que utilizam fintechs, quase a metade (47%) o faz há um ano ou mais,  enquanto apenas 14% diz ter contratado tais serviços nos últimos três meses, dado esperado em uma conjuntura de crise do coronavírus, em que mudanças, principalmente na área financeira, são acompanhadas da máxima cautela.

De maneira geral, no entanto, o nível de adoção das fintechs por parte das PMEs reflete um mercado em expansão: de acordo com o último Mapa de Fintechs do Brasil, publicado pelo Finnovation em 2019, o número de empresas do tipo em operação no país saltou de 377 em 2018 para 504 em 2019, um aumento de 34%.   

Na pesquisa, o Capterra também analisou dados referentes às PMEs que não utilizam os serviços de fintechs. Entre as principais conclusões, se destacam: 

  • 20% afirmam desconhecer os serviços oferecidos pelas fintechs e outros 40% dizem ter um conhecimento baixo ou muito baixo desse tipo de instituição. O dado mostra, portanto, que há espaço para mais crescimento na área.
  • Entre as empresas que sabem o que são fintechs, mais ainda não as adotam, somente 4% descarta totalmente a possibilidade de contratar os serviços de uma nos próximos doze meses, enquanto a maioria (39%) enxerga tal possibilidade como nem alta, nem baixa.
Para o empreendedor que está interessado em saber mais sobre como utilizar fintechs para empresas, a dica é sempre olhar para as necessidades do negócio e dos trabalhadores. As fintechs podem tanto substituir antigos serviços como complementar muitos deles, agilizando processos e tornando a operação mais eficiente.

Fintechs mais usadas

As fintechs de pagamento e de gestão financeira/contabilidade são as mais usadas, como mostra o gráfico abaixo:

fintechs utilizadas

Abaixo detalhamos os principais tipos de fintechs e suas principais vantagens:

Gestão financeira e contabilidade

Esta categoria engloba: 

  • Sistemas de pagamento para efetuar cobranças em débito em conta, cartão de crédito e boleto bancário também entram nessa categoria. 

A principal vantagem desses sistemas é sua facilidade de adoção, já que são produtos oferecidos na nuvem (sem precisar instalar um programa), e o preço, com pacotes mais baratos que softwares tradicionais.

Pagamentos

São aquelas empresas em geral conhecidas como bancos digitais e que oferecem os principais serviços dos bancos tradicionais para pessoas físicas e jurídicas, como: 

  • Emissão de boletos
  • Saques
  • Cartão de débito ou crédito
  • Transferências

Como um dos seus principais diferenciais, oferecem isenção e descontos em taxas ou tarifas mais competitivas. 

Investimentos

São voltadas a quem busca investir o dinheiro em produtos financeiros. Como principal diferencial, tais empresas oferecem rapidez para abrir contas e manejar os serviços online.

Seguros

São as insurtechs: neste caso, o “fin” de finanças é substituído pelo “insur”, de insurance (seguro em inglês).

Elas facilitam a contratação de seguros para empresas disponibilizando diversas opções em uma única plataforma e com a possibilidade de fazer cotações online.

Clientes mais satisfeitos

Ainda segundo a pesquisa, o nível de satisfação dos usuários de fintehcs também é maior: 57% deles dizem estar satisfeitos com os serviços contratados e 18%, muito satisfeitos. Entre as empresas que apenas usam instituições financeiras tradicionais, tais números caem para 14% e 2%, respectivamente.

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Três de cada quatro entrevistados aponta a praticidade como o principal motivo de sua empresa ter adotado uma fintech em alguma das áreas analisadas e mais da metade (56%) destaca a menor burocracia para contratar serviços. 

Por outro lado, pouco menos de um de cada três ressalta a variedade de serviços oferecidos por essas instituições como motivo da escolha.

O dado não surpreende, já que, de maneira geral, grandes instituições financeiras, como bancos, têm maior capacidade de operar em diversos setores e oferecer uma maior variedade de produtos. As startups de finanças, no entanto, utilizam a seu favor o fato de contarem com operações mais enxutas para focar em serviços destinados a atender demandas pontuais dos clientes de maneira mais ágil.   

Já os principais problemas de utilizar fintechs para empresas, segundo os entrevistados, são aqueles ligadas à própria natureza desse tipo de serviço, baseado no ambiente online e na menor interação humana.

Para 45% dos ouvidos, sua principal desvantagem é a ausência de suporte presencial quando necessário, seguida pelo medo de sofrer um ataque virtual (45%) e por problemas técnicos com os sites e/ou aplicativos (30%). 

Apenas 23% apontam a menor segurança que serviços financeiros tradicionais como a principal desvantagem das fintechs, outra prova do nível de confiança dos usuários nesses serviços.  

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Metodologia

Para reunir os dados presentes neste estudo, o Capterra realizou um levantamento online entre os dias 12 e 18 de junho em que ouviu 349 profissionais de micro, pequenas e médias empresas de diferentes setores de todo o país. Os entrevistados eram proprietários das empresas ou ocupavam cargos de gerência e eram responsáveis pelas áreas financeira e de contabilidade ou envolvidos diretamente na tarefa. Para esta pesquisa, o Capterra utilizou definição adotada pelo Sebrae para a classificação das empresas de acordo com o número de trabalhadores, detalhada a seguir: serviços e comércio, de 0 a 99 pessoas ocupadas; indústria, de 0 até 499 pessoas ocupadas. Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.

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