Medo do coronavírus impulsiona telemedicina no Brasil

Publicado em 22/01/2021 por Lucca Rossi

No primeiro texto de uma série de dois artigos em que o Capterra investigará o uso de novas tecnologias na saúde, tratamos da adoção da telemedicina no Brasil. No segundo texto, abordaremos a inteligência artificial na saúde. 

telemedicina no brasil

Com o confinamento pela pandemia do coronavírus e impulsionada por uma nova legislação, a telemedicina ganhou espaço no país nos últimos meses. Dados reunidos pela revista Exame mostravam que ainda em agosto do ano passado já eram 1,7 milhões o número de atendimentos desse tipo desde sua aprovação.   

É o que mostra também pesquisa do Capterra realizada em dezembro do ano passado com 1004 pacientes de todo o Brasil (confira metodologia no final do texto). 

Segundo o estudo, 62% dos entrevistados sabem o que é a telemedicina e 55% destes afirmam já terem feito uma consulta usando a modalidade (43%, depois do início da crise do Covid-19 e 12%, antes).

Vale lembrar que, ainda que a prática, que inclui o uso de softwares para o atendimento virtual, tenha sido regulamentada de maneira emergencial somente após o começo da pandemia, muitos médicos já utilizavam recursos como o WhatsApp para acompanhar seus pacientes fora do consultório antes da Covid-19, como aponta pesquisa da Associação Paulista de Medicina feita em fevereiro do ano passado. 

Confira o conteúdo que produzimos sobre o que é telemedicina e como funciona.

Medo de se contaminar motiva adoção 

Em meio a uma pandemia global, o medo da exposição a uma possível contaminação foi o motivo apontado por quatro de cada dez entrevistados para o uso da telemedicina. A rapidez (16%) e a praticidade (16%) desse tipo de atendimento também foram destacados pelos pacientes.

Entre os que experimentaram a modalidade, 54% afirmam que optariam pela telemedicina se tivessem sintomas parecidos aos do coronavírus (como tosse, febre, dor de garganta e dificuldade para respirar). 

telemedicina no brasil atendimento preferido

Pacientes que pagam plano de saúde têm melhor acesso 

O estudo do Capterra também investigou o nível de conhecimento e adoção da telemedicina entre os pacientes com e sem plano de saúde. 

Entre os primeiros, 62% já experimentaram a modalidade. Já entre os não segurados, somente 37% afirmam já terem feito uma consulta do tipo, o que evidencia uma concentração desses atendimentos entre pacientes com acesso a planos.

Além disso, mais da metade (53%) dos entrevistados que afirmaram desconhecer ou não ter certeza do que era a telemedicina não possuem planos de saúde.

As empresas estão atentas: oito de cada dez pacientes que possuem plano de saúde e já fizeram teleconsultas afirmam que seus planos cobrem a modalidade. 

Telemedicina no SUS

O uso da telemedicina na rede pública varia de estado para estado. A nível nacional, em abril do ano passado o Sistema Único de Saúde (SUS) lançou o TeleSUS, programa voltado para o atendimento à distância de pacientes com suspeitas de coronavírus por meio de chat, telefone e até teleatendimento.  

Prós e contras da telemedicina

Sem surpresa, a possibilidade de acesso ao tratamento de qualquer lugar (72%) e o menor risco de contaminação em hospitais ou consultórios (71%) foram apontados como os principais benefícios da telemedicina pela maioria dos entrevistados que adotam a prática (veja gráfico abaixo).

telemedicina no brasil benefícios

Como pontos negativos, os pacientes que adotam a telemedicina destacam a impossibilidade de realizar exames (69%) e a falta de interação pessoal (49%).

Medicina digital além do atendimento 

Vale lembrar que o contato humano é um elemento essencial na medicina. Como vimos anteriormente, a falta de interação pessoal é apontada pela metade dos entrevistados como a principal desvantagem da telemedicina. 

Entre os que conhecem a telemedicina mas dizem não utilizá-la, pouco mais de um terço (36%) afirmam não fazê-lo porque preferem justamente conversar pessoalmente com seu médico.  

Os dados da pesquisa reforçam o papel do atendimento virtual como um complemento ao presencial: apenas um de cada dez pacientes que já experimentou a telemedicina afirma utilizá-la para todas as suas consultas. Um terço dos entrevistados diz adotá-la para menos de um quarto dos atendimentos.

Além disso, a telemedicina deve ser vista como parte de uma estratégia mais ampla de digitalização dos centros de atendimento. 

Segundo a pesquisa do Capterra, os pacientes familiarizados com a telemedicina buscam profissionais que adotem novas tecnologias, como agendamento eletrônico de consultas ou atendimento via WhatsApp, como mostra o gráfico abaixo: 

telemedicina no brasil tecnologias

Dicas para digitalizar o seu consultório  

Selecionamos abaixo algumas dicas de como médicos, clínicas e hospitais podem se preparar para essa nova era de atendimentos que ganhou força com o início da pandemia.  

Escolha o software adequado

É importante lembrar que a telemedicina permite a interação entre médicos e pacientes e inclui a comunicação por e-mail, mensagens instantâneas e telefonemas, além do atendimento virtual por videoconferência. Em geral, softwares de telemedicina costumam contar também com funcionalidades de agendamento de consultas, prontuário eletrônico, prescrição e gestão (para controle de contas, logística, etc.).

Por isso, antes de escolher uma ferramenta, assegure-se qual área da sua clínica, consultório ou centro de saúde você deseja digitalizar e escolha a ferramenta adequada, seja um software para faturamento médico, uma solução para marcação de consulta ou um programa para gestão de clínicas.

Treine seus funcionários 

Se você conta uma equipe, é vital treinar seus funcionários para implementar a ferramenta escolhida de forma adequada e tirar o melhor proveito dela.

opções grátis no mercado, com funções limitadas, o que pode ser uma boa opção se você deseja testar a adoção de uma ferramenta do tipo.

Informe e peça feedback aos pacientes  

Não esqueça de manter seus pacientes informados sobre as novidades adotadas. E mais importante, peça a opinião deles sobre as ferramentas usadas, se elas estão funcionando bem e se algo pode melhorar. Você pode, inclusive, usar softwares para fazer enquetes online para isso.

Dados da pesquisa do Capterra mostram a importância da comunicação: 14% dos pacientes que nunca utilizaram a telemedicina dizem não tê-lo feito por não saberem se o seu plano de saúde oferta a modalidade. Caso ofereça teleconsultas, não esqueça de informar os pacientes sobre a possibilidade de usar os seguros.  

Telemedicina no pós-pandemia

Os dados do Capterra apontam também para perspectivas otimistas sobre o uso da telemedicina no futuro.

Segundo o estudo, quase metade (46%) dos que já experimentaram a modalidade dizem que aumentarão o uso após o fim da pandemia. 

A possibilidade de acesso a esse tipo de atendimento também influencia os pacientes na hora da escolha de novos profissionais.

Metade (49%) dos entrevistados que usam a telemedicina afirmam que seria muito mais provável selecionar um profissional que oferecesse serviços de telemedicina em comparação com um que não oferecesse, caso estivessem avaliando um novo médico (veja gráfico abaixo). 

telemedicina no brasil preferencias

Entre os pacientes que conhecem a telemedicina, mas afirmam não utilizá-la, quase um terço (31%) afirmam que não o fizeram porque seu médico não oferece a modalidade, dado que reflete igualmente o potencial de crescimento do atendimento virtual. 

De maneira geral, a confiança na telemedicina é ampla, mesmo entre aqueles que a conhecem, mas preferem não utilizá-la: entres estes, somente 3% afirmam não acreditar que esse tipo de atendimento seja eficaz.

Médicos que investirem nesse tipo de software hoje não só terão uma abordagem melhor para lidar com o coronavírus, mas estarão melhor preparados para servir seus pacientes também no futuro. 

Busca softwares de telemedicina? Confira nosso catálogo!

Metodologia:

Para reunir os dados presentes neste estudo, o Capterra realizou um levantamento online entre os dias 11 e 15 de dezembro de 2020 em que ouviu 1004 pessoas com mais de 18 anos de idade e de todas as regiões do país (com 51% dos entrevistados do sexo feminino e 49% do sexo masculino). Para participar da pesquisa, os entrevistados deveriam ter realizado uma consulta com um médico em 2020 e visitar um médico pelo menos uma vez por ano. Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.


Nota: Este documento não se destina, de forma alguma, a fornecer aconselhamento técnico ou endossar um plano de ação específico. Para obter conselhos sobre sua situação específica, consulte seu consultor técnico.

Esse artigo pode se referir a produtos, programas ou serviços ainda não disponíveis em seu país, ou pode ter restrições legais ou regulatórias. Sugerimos que você consulte o provedor de software diretamente para informações sobre disponibilidade do produto ou conformidade com as leis locais.

Sobre o(a) autor(a)

É Program Manager no Capterra. Como analista, cobriu temas como cibersegurança e meios de pagamento digitais. Seu trabalho já apareceu na Folha de S.Paulo, Tecmundo, entre outros.

É Program Manager no Capterra. Como analista, cobriu temas como cibersegurança e meios de pagamento digitais. Seu trabalho já apareceu na Folha de S.Paulo, Tecmundo, entre outros.