Pesquisa mostra consumidores preocupados com segurança digital

Publicado em 16/08/2021 por Marcela Gava

Depois de investigar a questão da cibersegurança nas pequenas e médias empresas (PMEs), o Capterra analisa neste artigo a opinião e o posicionamento dos consumidores brasileiros em relação à segurança digital. Confira a seguir o resultado completo da análise.

Segurança digital segundo os consumidores

Os casos de vazamento de dados pessoais estão mais frequentes no Brasil –de acordo com um estudo do MIT, o aumento deste tipo de evento foi de 493%–, bem como as tentativas de fraude digital –de 2020 a 2021, houve um aumento de 53% nas tentativas deste tipo de crime.  

Justamente pela disseminação deste tipo de evento, a população brasileira parece estar mais preocupada com segurança digital. Pelo menos é o que aponta a terceira parte da pesquisa do Capterra sobre cibersegurança no Brasil.

Depois de identificar os tipos de ataques cibernéticos mais comuns nas PMEs e analisar a adequação de empresas à LGPD após um ano, o novo estudo do Capterra foca no comportamento de pessoas físicas que já forneceram seus dados para concluir uma transação online, seja para realizar uma compra ou uma inscrição em uma plataforma digital.

Com consumidores mais conscientes, é importante que os negócios tomem ações para aumentar a proteção digital, como a implementação de softwares de cibersegurança.

De acordo com o estudo, 6 de cada 10 brasileiros se consideram muito preocupados com segurança digital, conforme demonstra o gráfico abaixo:

Grau de preocupação das pessoas com segurança digital

Para o levantamento do Capterra, foram ouvidas a opinião de 714 brasileiros de todas as regiões do País entre os dias 16 e 23 de junho de 2021 (acesse a metodologia no final do texto).

Entretanto, os dados demonstram que o grau de preocupação com o tema oscila conforme a idade dos respondentes. 

Embora não seja a percentagem mais baixa entre todas as faixas etárias analisadas, o nível de preocupação com cibersegurança é menor entre indivíduos de 18 a 25 anos (58%) e avança de maneira crescente até a faixa de 46 a 55 anos, que registra o maior nível de preocupação, alcançando 71%.

Preocupação com segurança digital por faixa etária

 

Em seguida, nota-se uma redução na faixa que vai dos 56 a 65 anos (pouco mais da metade, 57%, consideram-se muito preocupados com segurança digital). 

Mais alheio aos riscos digitais, atualmente a população brasileira da terceira idade sofre com a comercialização ilegal de suas informações do INSS, tornando-se alvo fácil de criminosos que fazem contratação de crédito consignado usando seus dados. 

Aumento da preocupação com segurança digital

Entre diversos eventos, o começo do ano de 2021 foi marcado pelo maior vazamento de dados pessoais já registrado no país. Na ocasião, foram expostos nome, CPF, nível de escolaridade e outras informações de mais de 200 milhões de brasileiros. 

O Capterra, então, analisou se as pessoas entrevistadas tomaram conhecimento sobre esta situação. Os dados mostram que a maior parte dos entrevistados (73%) disse que soube do ocorrido, frente a 15% que não estão cientes e 12% que não tem certeza.

Entretanto, se as informações do levantamento forem analisadas a partir do nível de escolaridade dos entrevistados, as pessoas mais preocupadas com segurança digital são aquelas com maior grau de escolaridade. Entre as  que têm superior completo e superior incompleto os números chegam a 68% e 63%, respectivamente. 

O resultado sugere que o acesso a informações relacionadas ao cuidado com os dados pode estar chegando de maneira desigual à população, o que faz com que uma parte dos brasileiros fiquem mais vulneráveis aos riscos digitais.

Também são maioria (62%) as pessoas que disseram se sentir mais preocupadas com segurança digital atualmente do que estavam há um ano atrás. 

Fatores como aumento dos casos de fraude digital e vazamento de dados foram, de longe, os maiores responsáveis por despertar o sentimento de preocupação, conforme detalhado no gráfico abaixo:

Motivos que levam à preocupação com cibersegurança

Pessoas buscam saber se foram vítimas de vazamentos 

Tomar conhecimento dos casos de vazamento de dados, para muita gente, é apenas a primeira parte do processo. A pesquisa do Capterra mostra que, no caso do megavazamento de janeiro de 2021, a maioria das pessoas tomou algum tipo de providência relacionada ao evento –apenas 13% afirmaram que não tomaram nenhuma ação. 

As ações mais citadas foram alteração de informações de login, como nome de usuário e senha, de contas online (57%) e, em seguida, o acesso a plataformas específicas, como Have I Been Pwned, cujo objetivo é informar se os dados de um indivíduo foram vazados (51%).

Mais da metade dos entrevistados (74%) declarou que seu maior receio no caso de um vazamento de dados é ser vítima de fraudes financeiras (como boletos falsos, clonagem de cartão de crédito, solicitação de empréstimo ou hipoteca, abertura de conta bancária, etc).

Receio ao vazamento de dados

A alta preocupação com fraudes financeiras pode ser reforçada com uma pesquisa do Observatório Febraban, da Federação Brasileira de Bancos, que identificou que 86% das pessoas têm medo de serem alvos de fraudes bancárias

Investigar a reputação se consolida como parte do processo de compra

Buscar mais informações sobre uma empresa ou produto já fazia parte do processo de compra do brasileiro. Mas, ao que parece, o boca a boca deu espaço para leitura de resenhas e pesquisas de reputação em sites especializados. 

Isso porque 7 de cada 10 entrevistados disseram que, antes de uma transação online, eles procuram mais informações sobre a reputação da empresa em sites como Google, Procon ou Reclame Aqui.

Para muitas pessoas, também faz parte do processo de análise da reputação a investigação em sites de notícias ou jornais se a empresa já esteve envolvida em casos de vazamento de dados (50%).

Anteriormente, uma pesquisa do Capterra já havia levantado a importância das resenhas para os consumidores. Naquele levantamento, 52% dos entrevistados disseram sempre ler reviews de produtos ou serviços antes de comprá-los, sendo que metade (49%) confia nas avaliações na hora de finalizar uma compra.

A administração da reputação

Sabendo que a investigação de reputação e a leitura de resenhas é parte importante da jornada de compras, passa a ser essencial que as PMEs façam a gestão da imagem da sua marca.

No que se refere à segurança digital, gerir a reputação inclui responder comentários relacionados a protocolos de segurança de maneira que tire dúvidas e transmita confiança aos consumidores –tal ação pode ser realizada com a ajuda de software de gestão de reviews e avaliações online.

Se o objetivo for analisar qual a percepção dos clientes em relação à segurança da empresa, vale a pena colher feedbacks através de ferramentas de pesquisa.

Responsabilidade da segurança de dados cai na conta da empresa

Embora não seja unânime, grande parte dos entrevistados na pesquisa do Capterra acredita que a proteção de dados é responsabilidade da empresa, já que 79% dos entrevistados disseram concordar com a afirmação “a proteção de dados é mais responsabilidade da empresa do que do consumidor” (42% concordam totalmente e 37% apenas concordam).

Ao mesmo tempo, a maior parte dos entrevistados (73%) acredita que as empresas têm ferramentas para evitar golpes digitais.

Atualmente, as ameaças online podem ser combatidas com o uso de softwares de gestão de vulnerabilidades, softwares de segurança na nuvem, sistemas de segurança de rede, entre outros.   

Quão grave os clientes veem determinadas ações

Os dados do Capterra também revelam que as pessoas estão dispostas a deixar de fazer negócios se uma empresa for vítima de vazamento de dados: 33% deixaria de fazer negócios em todos os ambientes (online e presencial) e 31% deixaria de fazer negócios somente no ambiente online.

Tais resultados evidenciam que, conforme aumentam os casos de vazamentos de dados, também aumenta a consciência dos consumidores sobre o tema –e, consequentemente, a exigência para que as empresas cumpram com as medidas de cibersegurança e não arrisquem colocar em risco a privadidade dos dados de seus clientes.

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Metodologia

Para reunir os dados presentes neste estudo, o Capterra realizou um levantamento online entre os dias 16 e 23 de junho de 2021 em que ouviu 714 consumidores de todo País, na faixa etária de 18 a 65 anos, que deveriam ter realizado alguma transação online nos últimos 12 meses. Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.

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Sobre o(a) autor(a)

Analista de conteúdo do Capterra, cobre as tendências de tecnologia e inovação. Jornalista com mestrado em comunicação pela UAB, de Barcelona. Gosta de criar playlists aleatórias.

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