Mercado imobiliário: tour virtual ajudou clientes a economizar tempo

Publicado em 10/03/2022 por Marcela Gava

As visitas virtuais são uma alternativa para agentes imobiliários apresentarem imóveis; no entanto, quão receptivos os compradores e locatários estão com o uso dessas ferramentas tecnológicas? Descubra na pesquisa de mercado imobiliário do Capterra, que investiga o papel das visitas virtuais no processo de seleção de compra e aluguel de imóveis.

Pesquisa do mercado imobiliário mostra que consumidores economizam tempo ao realizar tours virtuais

Uma ação tão física, como comprar uma casa, tem começado de modo imersivo no ambiente digital: 5 de cada 10 consumidores realizaram um tour virtual quando estavam analisando imóveis para comprar ou alugar. 

Dos que tiveram a oportunidade de realizar o tour virtual de imóveis, a maior parte o considerou muito útil, conforme o gráfico abaixo:

Maioria vê utilidade no tour virtual de imóveis

Os dados pertencem à pesquisa do Capterra que investiga a adoção de ferramentas tecnológicas pelo mercado imobiliário, as quais, juntamente com softwares para agências imobiliárias, tornam o processo de compra, venda e aluguel mais digitalizado. 

No estudo, foram ouvidas 1.000 pessoas de todas as regiões do País, entre os dias 28 de janeiro e 8 de fevereiro, que compraram uma propriedade ou deram início a um contrato de aluguel de imóvel nos últimos três anos (confira a metodologia completa no final do texto).

Daqueles que não realizaram o tour virtual, não foi por aversão a essa tecnologia. De acordo com o estudo, 40% só não o realizaram porque o tour virtual não estava disponível quando estavam no processo de seleção de imóveis. Apenas 9% dos entrevistados disseram que preferem visitar presencialmente desde o início. 

O que é um tour virtual?

Tours virtuais (ou visitas virtuais) são uma maneira de apresentar uma propriedade através de um passeio online pelo imóvel; no geral, esse recurso é criado em nome dos proprietários para comercializar sua casa. Podem ser feitos com um smartphone através de um passeio de vídeo pré-gravado, com ou sem agente imobiliário, ou com câmera 360º aliada ao uso de softwares de tour virtual.

Na hora de avaliar imóveis, maioria optou pela visita híbrida

Embora o tour virtual de imóveis traga benefícios ao processo de seleção, dados do Capterra indicam que a visita virtual não é a única realizada pela maioria dos interessados na hora de avaliar uma propriedade. 

Isso porque, dos respondentes que realizaram uma visita virtual, dois terços avaliaram o imóvel que compraram ou alugaram mediante um método híbrido: virtual e presencial. 

Esse número mostra ser mais alto entre os que compraram uma casa ou apartamento, em relação aos que alugaram um imóvel. Uma vez que a aquisição de uma propriedade é um investimento de longo prazo, os consumidores podem ser mais cuidadosos na hora de avaliar não apenas o espaço, mas também toda a estrutura da residência, o que exige também uma visita física no lugar.

O tour virtual de imóveis costuma estar atrelado a uma visita física

Apesar de o modelo híbrido aparecer em liderança, a quantidade de pessoas que realizaram apenas o tour virtual não pode ser ignorada. De acordo com a pesquisa, 29% fizeram unicamente a visita virtual no imóvel que acabaram comprando ou alugando, sem visita física. Isso significa que tomaram a decisão apenas por meio das imagens.

Possível impacto da pandemia na compra e aluguel de imóveis

O resultado acima pode estar conectado diretamente à pandemia de COVID-19. O estudo mostra que a maioria das pessoas que realizou a modalidade híbrida foram aquelas que compraram imóveis ou começaram seu contrato de aluguel no último ano.

Neste período, a taxa de vacinação aumentou –em outubro, o Brasil registrava 100 milhões de pessoas com as duas doses da vacina–, o que colaborou com a redução de óbitos decorrentes da COVID-19 e com a diminuição da taxa de transmissão do vírus. Ao mesmo tempo, alguns estados anunciaram flexibilizações, como o governo do estado de São Paulo, que em julho deu início ao plano de retomada de atividades econômicas.

Por outro lado, os que foram maioria em “comprar ou alugar realizando apenas o tour virtual” tomaram tal ação em um período que varia de 6 meses a 2 anos atrás, o que pode coincidir com o momento em que as restrições por conta da crise sanitária estavam mais intensas. De janeiro a março de 2021, por exemplo, os casos de COVID-19 no Brasil aumentaram 700%.

Dados do informe Indicadores Imobiliários Nacionais 2020, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), corroboram o argumento. Segundo relatório da companhia, quando se olha o resultado da busca por imóveis no primeiro trimestre de 2020, a modalidade presencial sentiu uma queda acentuada (35%) enquanto a modalidade online, no mesmo quesito, viu uma baixada de 12%, menos da metade. 

Tour virtual é o primeiro filtro da seleção de imóveis

A pesquisa do Capterra indica que a visita virtual pode funcionar como um primeiro filtro para decidir quais serão os imóveis a serem visitados fisicamente pelo cliente, já que 86% dos que fizeram a visita virtual declararam que a modalidade economiza tempo no processo de seleção das melhores propriedades para visitar pessoalmente. 

Em seguida, esses entrevistados também comentaram que o tour virtual, durante uma situação de pandemia, ajuda a reduzir o contato físico com agentes imobiliários e/ou proprietários (59%).

Pesquisa do mercado imobiliário mostra economia de tempo na seleção de visitas como o principal benefício dos tours virtuais

No quesito estilo de visita, o principal tour realizado pelas pessoas foi o tour virtual 360º ou 3D (56%), que permite à pessoa interessada ter um panorama mais realista do imóvel, de acordo com o gráfico abaixo: 

Pesquisa de mercado imobiliário mostra que tour virtual 360º foi a principal modalidade realizada pelos consumidores

As pessoas também declararam que realizaram visitas de vídeo pré-gravadas com um agente (46%) –investir em programas para fazer vídeos é uma maneira de gerar conteúdos mais profissionais– e, em menor proporção, realizaram visitas de vídeo ao vivo com um agente imobiliário (29%), que podem ser realizadas mediante o uso de software de comunicações unificadas.

Unanimidade: quase todos os respondentes entrevistados se interessariam por tour de realidade virtual

Ao se aprofundar em cada tipo de visita virtual disponível no mercado imobiliário, fica evidente que as pessoas parecem estar receptivas ao uso de tecnologia nesta área. Isso porque quase todos entrevistados (99%) disseram que fariam um tour via realidade virtual se a modalidade estivesse disponível na hora de visitar um apartamento.

O que é um tour de realidade virtual?

A realidade virtual (VR) permite que possíveis compradores ou locatários façam um passeio digital na propriedade como se estivessem presentes fisicamente no espaço. Na realidade virtual, usa-se um equipamento especial (óculos VR) que, através de sensores e câmeras integradas, é capaz de gerar imagens tridimensionais e sons realistas em um ambiente físico.

A tecnologia permite que compradores ou locatários vejam uma representação mais real de uma propriedade, a partir da sua própria casa ou através da agência imobiliária. Com essa experiência imersiva, é possível ainda visualizar como cada ambiente ficaria já com os móveis. Segundo informações de uma imobiliária online, imóveis decorados têm mais capacidade de conversão de vendas.

Embora com muitos entusiastas, a tecnologia parece não ser tão comum entre as agências imobiliárias brasileiras: apenas 28% dos entrevistados realizaram esse tipo de tour durante seu processo de compra ou aluguel de imóveis. 

O estudo do Capterra indica que há uma variação no poder aquisitivo entre as pessoas que realizaram o tour de realidade virtual; quanto menor a renda salarial, também é menor a chance de o consumidor ter realizado este tipo de visita virtual.

Por se tratar de uma tecnologia de última ponta, que exige o uso de equipamentos especiais e material de alta qualidade (como vídeos em alta resolução), muitas imobiliárias podem deixá-la reservada a imóveis de alto padrão que, em alguns casos, ainda estão na planta.

Vale destacar que há vantagem em oferecê-lo: das pessoas que realizaram o tour de realidade virtual, 9 de cada 10 classificou a experiência como muito útil. 

Em seguida, 76% das pessoas também destacaram que o tour ajudou muito na decisão de visitar o apartamento pessoalmente, e a mesma porcentagem acredita que o tour de realidade virtual facilita muito a decisão de fazer uma oferta a um imóvel. 

No tour de realidade virtual, maioria usou óculos VR da imobiliária

Como mostrado no gráfico acima, agências imobiliárias que pretendem investir na tecnologia devem certificar-se também de investir no equipamento adequado para criar experiências verdadeiramente imersivas e de qualidade.

Impossibilidade de conhecer a região é visto como uma desvantagem

No entanto, apesar de haver utilidade no tour de realidade virtual, os entrevistados também levantaram algumas desvantagens: 

  • 48% apontaram a impossibilidade de conhecer os arredores da propriedade.
  • 36% citaram a incapacidade de avaliar a estrutura de uma casa. 
  • 35% apontaram a dificuldade em avaliar a iluminação natural de um imóvel.

Uma maneira de superar tais entraves é empregar estratégias que permitam gerar conteúdo que resolva qualquer dúvida que o cliente possa ter. 

Para isso, é importante fazer uma descrição detalhada do imóvel, que inclua esclarecer quais tipos de materiais usados (como tipo de piso, estilo de armários ou pintura de paredes), detalhes extras –por exemplo, existência de churrasqueira ou salões de festas– e informações sobre direção do nascer ou pôr do sol.

Dica especializada

Use ferramentas de SEO para encontrar palavras-chave relevantes para o seu negócio que podem ser empregadas na descrição. Isso ajuda a melhorar o posicionamento do seu anúncio em buscadores e também dentro de marketplaces especializados, aumentando a visibilidade da sua oferta. Também vale a pena considerar a criação de vídeos para mostrar os arredores de uma casa –usar programas para fazer vídeos ajuda na criação de conteúdos mais profissionais.  

Realidade aumentada facilita a tomada de decisão 

A realidade aumentada é outra tecnologia que ajuda no processo de seleção de imóveis e, segundo o relatório do Capterra, quem usufruiu dela durante a etapa de visitas parece ter ficado satisfeito: 7 em cada 10 entrevistados disseram que a realidade aumentada facilitou muito sua decisão sobre comprar ou alugar um imóvel. 

Essa percepção flutua de acordo com a faixa etária. Compradores ou inquilinos entre 26 e 35 anos são os que mais veem facilidade na tecnologia; além disso, são maioria entre os que realizaram esse tipo de tour e também entre os que não realizaram mas têm interesse em fazê-lo. 

Os dados indicam que, quanto maior a faixa etária, menor o uso da realidade aumentada e menor o interesse em realizar esse tipo de visita virtual.

Como funciona a realidade aumentada no mercado imobiliário?

A realidade aumentada sobrepõe elementos digitais 3D a uma imagem física, por meio do uso de óculos de realidade aumentada ou através da câmera de celular ou tablet. Ela permite obter uma impressão com contexto do imóvel, já que permite inserir móveis virtuais dentro de um ambiente. Trata-se de uma tecnologia especialmente relevante para dar vida a um imóvel vazio ou para incorporadoras que pretendem mostrar como um empreendimento ficará quando finalizado.  

Embora não seja alta a porcentagem de pessoas que fizeram uso dessa tecnologia (34%), a maioria dos entrevistados (61%) mostrou interesse em realizá-la para aprimorar a experiência de uma visita presencial em um imóvel.

Resumo dos principais tipos de tours virtuais de imóveis

Apesar da relevância da realidade aumentada, é importante que as agências imobiliárias saibam empregar experiências tecnológicas de acordo com a demanda dos consumidores que estão atendendo. 

Por exemplo, para compradores ou inquilinos que buscam imóveis mobiliados não haverá muita utilidade no uso da realidade aumentada. Por isso, é importante conhecer o que busca o cliente para possivelmente indicar os melhores recursos que possam facilitar seu processo de seleção de imóveis.

Investindo em tecnologia no mercado imobiliário

As visitas virtuais são uma via de mão dupla, já que proporcionam economia de tempo tanto para a agência imobiliária quanto para o cliente. Isso porque o primeiro filtro da seleção de imóveis pode ser feito a distância, em qualquer horário e quantas vezes o interessado desejar, mobilizando a equipe apenas em etapas já mais avançadas na avaliação de propriedades.  

As agências imobiliárias que pretendem se aventurar nessa tecnologia devem avaliar uma série de fatores:

  • Vale a pena oferecer uma visita virtual para todos os imóveis?
  • Qual o tipo de tecnologia mais adequada para minha carteira de imóveis?
  • Quanto tempo e dinheiro serão empregados para a criação de passeios virtuais?

Uma vez implementada, é essencial ouvir o feedback dos clientes sobre a utilidade do material e que tipo de influência a visita virtual exerceu na decisão de compra ou aluguel. Considerando todas essas etapas, aumentará as chances de se criar uma estratégia eficiente.

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Metodologia

Para reunir os dados presentes neste estudo, o Capterra realizou um levantamento online entre os dias 28 de janeiro e 8 de fevereiro de 2022 em que ouviu 1.000 pessoas acima de 18 anos, de diferentes faixas de renda (até 1 salário mínimo, de 1 a 3, de 3 a 7, de 7 a 15, de 15 a 20 e mais de 20) e de todas as regiões do país. Os entrevistados deveriam ter comprado ou dado início a um contrato de aluguel de uma casa ou apartamento nos últimos três anos. O painel contou com a participação de 54% dos entrevistados que se declararam como compradores e 46% que se declararam inquilinos. Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.

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Sobre o(a) autor(a)

Analista de conteúdo do Capterra, cobre as tendências de tecnologia e inovação. Jornalista com mestrado em comunicação pela UAB, de Barcelona. Gosta de criar playlists aleatórias.

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