Pesquisa mostra Brasil na frente de outros países no uso de aplicativos de mensageria

Publicado em 04/08/2022 por Marcela Gava

Além de implementar sistemas de gerenciamento de redes sociais, empresas devem conhecer as particularidades de cada rede social e seus usuários para conseguir triunfar nesse meio. Dividido em três artigos, o Capterra lança uma série de estudos sobre o uso de redes sociais no Brasil. Nesta primeira parte, mostramos quais são as mais acessadas pelos nossos respondentes. 

Pesquisa traz dados sobre o uso das redes sociais

Parte da vida social dos brasileiros parece se desenrolar no ambiente online. Um estudo compartilhado pelo jornal Estado de Minas mostrou que o Brasil é o terceiro país do mundo que mais usa redes sociais, passando quase quatro horas por dia conectados a essas plataformas.

Neste contexto, surgem algumas dúvidas: quais são as redes sociais mais usadas pelos brasileiros? Há diferença de uso com base na faixa etária? Quantas vezes por dia as pessoas costumam checar suas redes sociais?

Algumas dessas respostas estão disponíveis na nova pesquisa do Capterra, que investiga questões relacionadas ao uso das redes sociais no Brasil. O levantamento online entrevistou 1024 usuários regulares de plataformas de interação digital, com idade entre 18 e 75 anos, que realizam pelo menos uma compra online a cada seis meses. Acesse a metodologia completa no final do artigo.

Sem muitas surpresas, o estudo do Capterra mostra que a plataforma mais utilizada no Brasil é o WhatsApp, já que 98% dos entrevistados se declararam usuários da aplicação. 

A quantidade de respondentes brasileiros que usam o aplicativo de troca de mensagens está na frente de outros países onde o Capterra está presente e que também conduziram a mesma pesquisa. Na Espanha (93%) e no México (95%), embora inferior ao percentual brasileiro, o WhatsApp também possui forte presença; por outro lado, no Reino Unido e na França esse número cai para 69% e 51%, respectivamente.

No Brasil, o WhatsApp também costuma ser empregado como canal de suporte ao cliente. Inclusive, uma pesquisa recente do Capterra sobre serviço de atendimento ao consumidor (SAC) mostrou que para 48% dos respondentes o bate-papo ao vivo, que pode ser viabilizado via WhatsApp, seria o primeiro método de atendimento pelo qual buscariam assistência.     

Ao investigar o uso das redes sociais, o que sim parece surpreender é a quantidade de entrevistados que se declararam usuários do Telegram no Brasil, mostrando que o WhatsApp não é o único aplicativo de mensageria com forte presença em território nacional. Por aqui, 57% relataram que são usuários do Telegram.

Os aplicativos de mensageria são uma das redes sociais mais usadas no Brasil

Com base nas respostas dos entrevistados, como é possível visualizar no gráfico acima, o estudo do Capterra indicou ainda que há mais pessoas utilizando Telegram em território brasileiro do que em outros lugares do mundo.

Como usar redes de mensageria na sua estratégia

– Atendimento ao consumidor: aplicativos de mensagem podem servir de canal para que os clientes tirem dúvidas sobre um produto ou serviço. É possível realizar o atendimento com um agente em tempo real ou através de automação, por meio de um chatbot.

– Canal de vendas: no WhatsApp, especificamente, é possível criar um catálogo de produtos na conta comercial do aplicativo. Assim, toda vez que um cliente entrar em contato por esse canal, terá acesso fácil ao menu de opções.

Os aplicativos com mais usuários são da mesma empresa

Vale notar que as três redes sociais mais usadas no Brasil, elencadas a partir das respostas dos entrevistados pelo Capterra, pertencem a um mesmo grupo. Trata-se do conglomerado estadunidense Meta, de Mark Zuckerberg, cuja centralização das operações ocorreu em outubro de 2021 ao mesmo tempo em que o fundador deu o pontapé inicial para o desenvolvimento do metaverso.   

Sendo assim, após o WhatsApp (98%), outros aplicativos com grande penetração entre os respondentes são Instagram (91%) e Facebook (89%), conforme mostra o gráfico. 

Mostramos neste gráfico quais as redes sociais mais usadas

Instagram aparece com mais usuários que Facebook 

A ordem ocupada por cada ferramenta no ranking pode causar até certo espanto, com o Instagram na frente do Facebook. 

Afinal, o Facebook é a plataforma mais veterana em relação às três principais colocadas; entretanto, ao ir a fundo sobre o uso das redes sociais, a reviravolta do jogo parece ser recente. Uma pesquisa realizada pela Emplifi mostra tanto um aumento de audiência quanto de engajamento no Instagram no último ano.   

Para negócios que querem utilizar alguma dessas plataformas como canal de marketing, é importante entender as particularidades de cada uma delas. 

As três redes sociais citadas oferecem a possibilidade de criação de perfis comerciais, que trazem recursos diferenciados em relação aos perfis pessoais, e possuem páginas dedicadas que ajudam na configuração da conta profissional –são elas: WhatsApp Business, Instagram Business e Facebook Business.

Após criar a conta e se iniciar no universo das redes sociais, as companhias também têm a opção de implementar plataformas de gerenciamento de redes sociais para automatizar a publicação de conteúdo e realizar análise da performance. 

Mais da metade dos respondentes usa TikTok

O TikTok, rede social de vídeos curtos, encontrou bastante aderência no Brasil. Segundo levantamento publicado pela revista Exame, o país é o segundo que mais usa essa rede social no mundo. 

Na pesquisa do Capterra, 64% dos participantes disseram usar o TikTok. Em comparação com o uso de outras redes sociais, essa plataforma se popularizou especialmente pelos desafios temáticos, geralmente baseados em alguma coreografia. 

Na análise em relação à idade, a plataforma é especialmente popular entre os entrevistados da geração Y (51%) e participantes que se declararam da geração Z (21%), como mostra o gráfico abaixo: 

O uso do TikTok pelos entrevistados

No caso da geração Z, entre os respondentes da pesquisa do Capterra, o TikTok se consolida como a rede social mais usada por essa faixa etária, desbancando plataformas com mais tempo de mercado, como Instagram (19%) e Facebook (17%).

Além do TikTok, outra rede social de vídeos aparece com relativa boa presença no Brasil. Trata-se do Kwai. Se o primeiro se popularizou pelas dancinhas, o segundo ficou famoso pelos vídeos curtos com histórias de reviravoltas e lições de moral.

Recentemente, o Kwai se tornou o terceiro aplicativo mais baixado no Brasil –no estudo do Capterra, 51% dos participantes relataram que o utilizam. 

Também baseado em vídeos curtos e com um tom mais popular, a rede social tem forte presença em estados do Norte e Nordeste e muitos dos vídeos compartilhados possuem trilha sonora baseada em gêneros musicais como sertanejo e forró.   

Em relação à idade, essa rede social está especialmente presente na faixa etária de 26 a 35 anos (32%), seguido pelas pessoas de 36 a 45 anos (27%). 

5 dicas para começar a usar aplicativos de vídeo na sua estratégia

– Analise se o perfil dos usuários está de acordo com a audiência da sua marca.
– Avalie quanto tempo terá de ser empreendido na criação de conteúdo de vídeo.
– Pense na linguagem –formal ou informal?– e nos tipos de vídeos que irá produzir (apresentação da marca, depoimento de clientes, etc.)
– Crie um calendário editorial para ter regularidade nas publicações.
– Acompanhe relatórios de desempenho, geralmente disponíveis em ferramentas de análise de redes sociais, para entender o que está funcionando (ou não) na sua abordagem.

Para que finalidade os usuários usam as principais redes sociais?

Cada plataforma de comunicação digital serve para um propósito. Quando os respondentes foram perguntados para quais atividades usam cada rede social, Facebook (67%), Instagram (80%) e WhatsApp (94%) se mostraram utilizados especialmente para “enviar mensagens e/ou verificar atualizações de amigos, família e grupos”. 

Já outras redes sociais têm outras finalidades. No caso do Twitter, por exemplo, a rede social se mostrou usada principalmente para as pessoas se manterem atualizadas com as notícias do mundo (40% utilizam o Twitter com esse propósito); enquanto isso, o TikTok é majoritariamente usado pelos respondentes para postar ou compartilhar fotos e vídeos (40% realizam esse tipo de uso da plataforma).

Nota-se que, nesses casos, as pessoas preferem empregar as plataformas para o objetivo pelo qual foram criadas, desbancando atividades como “seguir influenciadores” ou “seguir celebridades”. 

As redes sociais preferidas de cada geração

Como dito anteriormente, o estudo do Capterra identificou que a rede social mais usada pela geração Z, nascidos a partir de 1996, é o TikTok (21%). Ainda há também a presença de Pinterest (20%) e Instagram (19%) entre as plataformas principalmente utilizadas por essa geração.

No caso da geração Y (ou Millennials), nascidos entre 1978 e 1995, também há bastante presença das plataformas de vídeo. O Snapchat (57%) é uma das principais redes sociais usadas por essa geração, seguido por Kwai (54%). 

Nas gerações mais veteranas, observa-se o uso das redes sociais tradicionais. Os entrevistados da geração X, nascidos entre 1965 e 1977, utilizam principalmente Instagram, Facebook e WhatsApp –as três plataformas alcançaram o total de 22%.

No caso dos baby boomers (de 1946 a 1964), existe uma leve preferência pelo Facebook (13%), em seguida Instagram (12%) e WhatsApp (12%).

Maior parte acessa redes sociais mais de 10 vezes por dia

O porcentual de usuários em cada rede social já demonstra que essas plataformas são um negócio sério para os participantes brasileiros da pesquisa. Uma outra informação aparece para reforçar esse fato: 4 de cada 10 entrevistados (41%) declarou que acessa suas redes sociais mais de 10 vezes por dia.

Trata-se do maior número entre os países onde o levantamento do Capterra foi realizado. Entre os entrevistados residentes em países europeus, por exemplo, esse número não alcança nem 20%. Veja a informação completa abaixo:

A frequência diária de uso das redes sociais

No geral, a frequência de acesso dos entrevistados brasileiros é alta. Outros 34% declararam acessar de 3 a 10 vezes por dia, enquanto 18% acessam de 1 a 3 vezes por dia. Em menor grau são os que acessam apenas uma vez por dia (6%).

A segurança com o uso de dados nas redes sociais    

Embora os respondentes brasileiros ouvidos pelo Capterra estejam acessando as redes sociais com frequência, como eles se sentem compartilhando seus dados nesses sites? 

A maioria dos entrevistados (49%) se definiu como moderadamente preocupado com o uso que as redes sociais fazem com os dados compartilhados pelos usuários, como dados pessoais, fotos e vídeos; já 31% se declararam muito preocupados com a questão.

Apenas 6% dos entrevistados se definiram como “nada preocupados” com o tema. 

Tal resultado pode ser fruto da disseminação da Lei Geral da Proteção de Dados (LGPD) que, desde a sua implementação, vem conscientizando as pessoas em relação à segurança digital. Por exemplo, pesquisa do Capterra realizada em 2021 já mostrava 67% dos entrevistados muito preocupados com cibersegurança.  

Nesse contexto, as pessoas se mostraram mais à vontade para compartilhar imagens pessoais nas redes sociais (70% disseram se sentir confortáveis compartilhando esse tipo de informação), como fotos e vídeos, e também dados sensíveis (43%), que são informações sobre raça e etnia. 

Porém, se mostram menos confortáveis com o compartilhamento de informações pessoais (35%), como nome e endereço, e menos ainda com informações financeiras (8%) –número de cartão de crédito, por exemplo. Vale enfatizar que 17% se declarou desconfortável para compartilhar qualquer tipo de informação.  

Na hora de se inscrever nas redes sociais, 84% declararam ler os termos e as condições das plataformas, sendo que 32% leem completamente e 52% leem parcialmente.

Destaques do estudo

Neste artigo, exploramos alguns dos principais pontos relacionados ao uso das redes sociais, como as plataformas mais usadas e quanto tempo as pessoas gastam em média nelas. Abaixo, confira alguns dos principais dados compartilhados:

  • O WhatsApp é a plataforma social mais presente entre os entrevistados brasileiros (98% usam esse canal de comunicação), mostrando que há bastante oportunidade para as empresas explorarem a conta comercial dessa ferramenta.
  • O Instagram (91%) mostra ter mais usuários entre os respondentes do Capterra em relação ao Facebook (89%).
  • Para pessoas mais novas, pertencentes às gerações Y e Z, as redes sociais de vídeo aparecem com força. Já para os baby boomers, por exemplo, o Facebook ainda é o canal mais relevante. Tal dado aponta que as empresas devem adaptar sua comunicação para o perfil que desejam alcançar.
  • Os entrevistados brasileiros são os que mais checam as redes sociais 10 vezes por dia (41%), em comparação com outros países. 
Busca sistemas de gerenciamento de redes sociais? Confira nosso catálogo.

Metodologia

Os dados presentes nesta primeira parte do estudo foram reunidos a partir de um levantamento online realizado entre os dias 20 e 28 de abril de 2022, contando com a participação de 1.024 pessoas, com idades entre 18 e 75 anos, de todas as partes do Brasil.

Para participar do estudo sobre o uso das redes sociais, os entrevistados deveriam realizar pelo menos uma compra online a cada seis meses e utilizar as redes sociais pelo menos uma vez por mês.

A mesma segmentação foi empregada pelos outros países citados nesse artigo, com variação na quantidade de pessoas entrevistadas:

  • Espanha (1026)
  • França (998)
  • Reino Unido (1005)
  • México (1019)

Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.


NOTA: Este artigo, embora cite aplicativos e outros produtos digitais como exemplo, não pretende endossar nenhuma marca ou empresa.

Esse artigo pode se referir a produtos, programas ou serviços ainda não disponíveis em seu país, ou pode ter restrições legais ou regulatórias. Sugerimos que você consulte o provedor de software diretamente para informações sobre disponibilidade do produto ou conformidade com as leis locais.

Sobre o(a) autor(a)

Analista de conteúdo do Capterra, cobre as tendências de tecnologia e inovação. Jornalista com mestrado em comunicação pela UAB, de Barcelona. Gosta de criar playlists aleatórias.

Analista de conteúdo do Capterra, cobre as tendências de tecnologia e inovação. Jornalista com mestrado em comunicação pela UAB, de Barcelona. Gosta de criar playlists aleatórias.