O que é telemedicina e como funciona

Publicado em 12/04/2022 por Marcela Gava e Lucca Rossi

*Artigo publicado originalmente em 22/05/2020.

Os mais variados tipos de serviços tiveram de se adaptar ao online por conta da crise sanitária. A medicina foi um deles. Se você ainda tem dúvidas sobre o que é telemedicina e como funciona, explicamos em detalhes neste post.

Neste texto, explicamos o que é telemedicina e como funciona

A pandemia de COVID-19 provocou uma crise sanitária sem precedentes nas últimas décadas, desbordando hospitais e testando os limites dos profissionais de saúde de todo o mundo. 

A crise, porém, fez crescer a adoção de uma prática que parece estar ganhando visibilidade nos últimos anos e que, principalmente em momentos de saturação dos centros de saúde, pode ser uma grande aliada tanto de médicos como de pacientes: a medicina online. Neste artigo, entenda o que é telemedicina e como funciona.

O que é telemedicina?

A telemedicina se refere ao atendimento médico profissional realizado a distância, por meio de videochamada, telefonemas ou mensagens via e-mail. Nesta modalidade de atendimento, o profissional de saúde e o paciente não necessitam estar fisicamente presentes no mesmo espaço. 

A consulta ocorre como no ambiente presencial: o profissional realiza anamnese, preenche um prontuário digital, responde às dúvidas do paciente e ao final, se for o caso, gera uma receita médica que pode ser enviada por e-mail ou pelo aplicativo médico (se for o caso). Um estudo do Capterra, realizado no final de 2020, 55% dos entrevistados já haviam realizado uma consulta online.

Com as teleconsultas liberadas no país, diversas clínicas, consultórios e hospitais que já praticavam a modalidade mesmo antes da aprovação da nova lei sobre o tema (veja abaixo) viram a demanda por esse tipo de atendimento crescer. 

Por outro lado, fornecedores de softwares médicos correram para adaptar seus produtos e oferecer essa funcionalidade.  

O que diz a lei

A prática da teleconsulta (ou consulta virtual) não estava regulada no Brasil antes da crise do coronavírus. No dia 16 de abril de 2020, foi sancionada uma lei que autoriza os atendimentos virtuais enquanto durar a crise da COVID-19. Receitas médicas online sem assinatura eletrônica verificada foram vetadas. 

Ainda em março do mesmo ano, o Conselho Federal de Medicina (CFM) já havia liberado esse tipo de atendimento, com a posterior publicação de uma portaria do Ministério da Saúde sobre o tema. Além disso, em âmbito federal, um projeto do governo em parceria com o Hospital Albert Einsteinbusca garantir o acesso à teleconsulta aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, existe um Projeto de Lei (PL 1998/20) tramitando na Câmara dos Deputados em prol da regulamentação definitiva da telemedicina no Brasil.

Com a incerteza que rondava o tema nos últimos anos, muitos centros de saúde seguiam sem adotar a modalidade.

Para ajudar a tirar algumas das dúvidas daqueles que começaram a prestar atenção na prática médica à distância devido à recente crise sanitária, preparamos este post com alguns dos principais pontos sobre como funciona a telemedicina.

Como funciona a telemedicina? 

Softwares de telemedicina permitem que médicos conversem com pacientes e entre si e realizem exames remotamente. Tais ferramentas podem incluir meios de comunicação como e-mails, mensagens instantâneas e telefonemas, mas uma das funcionalidades mais buscadas é a videoconferência.

ATENÇÃO

Softwares empregados para a telemedicina devem ser específicos para o uso médico, com opções para diagnóstico, tratamento e/ou consulta, e não simples programas de videoconferência.

A telemedicina, portanto, trata especificamente de permitir interações entre médicos e pacientes e constitui uma área dentro da telessaúde. Esta última engloba, além de serviços remotos de assistência, os âmbitos de diagnóstico, educação, pesquisa em saúde, entre outros.

Quais são os benefícios da telemedicina?

Entre os benefícios da telemedicina e de programas que a combinam com outras funcionalidades, tanto para médicos como para pacientes, podemos destacar:

  • Possibilidade de realizar mais consultas: ao evitar deslocamentos, atrasos e filas na sala de espera, essa tecnologia ajuda médicos a realizarem mais consultas e a pacientes a economizarem tempo.
  • Diminuição do número de consultas canceladas: softwares médicos facilitam a marcação e o monitoramento das consultas, ajudando a diminuir o número de visitas canceladas ou de pacientes que não aparecem.
  • Troca de informação: médicos que utilizam uma mesma solução podem trocar informações de maneira mais fácil e ágil e tirar dúvidas com profissionais mais experientes ou que já trataram casos parecidos.
  • Segurança e agilidade: os médicos podem guardar todas as informações dos pacientes em um só lugar e de uma maneira potencialmente segura através de recursos como criptografia, dificultando o acesso alheio a informações sigilosas.
  • Acesso fácil a especialistas a um custo mais baixo: a teleconsulta permite o acesso a clínicas e hospitais a quilômetros de distância da casa do paciente a um custo mais baixo. Trata-se de um enorme benefício principalmente para os que estão longe dos grandes centros urbanos, onde se concentram a maioria dos especialistas.

timeline o que é telemedicina e como funciona

Principais funcionalidades dos softwares médicos

Como comentamos, a telemedicina se refere ao atendimento virtual, mas os principais softwares para uso médico no Brasil costumam oferecer um conjunto de funcionalidades além do teleatendimento. Confira abaixo as principais:

Agendamento de consultas 

Permite o agendamento de consultas e o controle do calendário de atendimentos.

Armazenamento de registros do paciente

A ferramenta de prontuário eletrônico reúne todas as informações do paciente (medicamentos utilizados, diagnósticos, histórico médico, alergias, imagens radiológicas, resultados de testes, etc.) e facilita o acesso aos dados. 

Além de ser mais seguro que os antigos informes em papel, os prontuários eletrônicos ajudam na organização da informação. Arquivos antigos em papel também podem ser digitalizados e importados às ferramentas.

Acesso à consulta online

Como comentado anteriormente, trata-se do atendimento online, utilizando o sistema de vídeo e áudio do computador.

As práticas autorizadas pelo CFM foram:

  • A teleorientação, em que médicos podem orientar e encaminhar pacientes à distância.
  • O telemonitoramento, para a supervisão e o monitoramento de parâmetros de saúde.
  • A teleinterconsulta, para troca de informações entre médicos.

Envio de prescrições

Depois do prontuário, a prescrição eletrônica é sem dúvida uma das funcionalidades mais importantes de um software do tipo. Como comentado anteriormente, a nova lei sobre a prática da modalidade no Brasil somente considera válida uma receita online com assinatura digital.

Para além da simples prescrição, alguns softwares possuem integrações com sistemas que conectam médicos e pacientes diretamente com as farmácias para a localização e até a compra de medicamentos. 

Recursos para gestão

Semelhante a sistemas ERP, os principais softwares de telemedicina possuem também módulos de gestão para as clínicas ou consultórios, com funcionalidades como contas a pagar/receber, estoque e logística. 

Para médicos que trabalham com planos de saúde, muitas plataformas oferecem o módulo para gestão/faturamento das guias TISS, ferramenta estabelecida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que busca padronizar as ações administrativas das operadoras de planos de saúde. 

Outra funcionalidade comum é a de geração de relatórios financeiros e contábeis.

Outros tipos de software para médicos

É importante lembrar que a tecnologia é uma aliada dos médicos não somente na hora de atender os pacientes.

Diversos tipos de softwares se dedicam a ajudar médicos, enfermeiras, assistentes e outros profissionais em áreas específicas, como marcação de consultas, cobranças ou registros.

Selecionamos abaixo as principais ferramentas do tipo:

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Esse artigo pode se referir a produtos, programas ou serviços ainda não disponíveis em seu país, ou pode ter restrições legais ou regulatórias. Sugerimos que você consulte o provedor de software diretamente para informações sobre disponibilidade do produto ou conformidade com as leis locais.

Sobre os(as) autores(as)

Analista de conteúdo do Capterra, cobre as tendências de tecnologia e inovação. Jornalista com mestrado em comunicação pela UAB, de Barcelona. Gosta de criar playlists aleatórias.

Analista de conteúdo do Capterra, cobre as tendências de tecnologia e inovação. Jornalista com mestrado em comunicação pela UAB, de Barcelona. Gosta de criar playlists aleatórias.


É Program Manager no Capterra. Como analista, cobriu temas como cibersegurança e meios de pagamento digitais. Seu trabalho já apareceu na Folha de S.Paulo, Tecmundo, entre outros.

É Program Manager no Capterra. Como analista, cobriu temas como cibersegurança e meios de pagamento digitais. Seu trabalho já apareceu na Folha de S.Paulo, Tecmundo, entre outros.