Violação de dados é a principal preocupação no uso de tecnologia biométrica

Publicado em 21/04/2022 por Marcela Gava

Embora a tecnologia biométrica faça parte da rotina das pessoas, ela não está eximida de certos temores de segurança digital. Na pesquisa do Capterra sobre biometria, descubra qual é a percepção dos usuários acerca do uso deste método de identificação.

No uso de tecnologia biométrica, vazamento de dados é um dos principais temores das pessoas

O uso de alguma tecnologia biométrica como ferramenta de validação de atividades ou identificação pessoal –muitas vezes através do emprego de software de autenticação multifator– parece já estar bastante disseminado entre os brasileiros.

Pelo menos esta é a conjuntura a partir das informações geradas pela pesquisa do Capterra sobre o uso de dados biométricos. 

Somente 4% dos entrevistados disseram que não utilizam nenhum tipo de método biométrico (foram apresentados sete tipos de tecnologia biométrica no questionário da pesquisa, são elas: reconhecimento facial, reconhecimento de voz, impressão digital, escaneamento da palma da mão, varredura da íris e varredura de veias). 

O levantamento contou com a participação de 725 entrevistados entre os dias 11 e 16 de fevereiro de 2022, que deveriam ter realizado alguma ação digital no último ano, como realizar transações online em bancos ou efetuar uma compra via e-commerce, para participar da pesquisa. A metodologia completa pode ser acessada no final do artigo.

O que é um método biométrico de identificação?

De acordo com definição da Gartner, a tecnologia biométrica é um método de identificação individual (conteúdo em inglês) que analisa características comportamentais ou fisiológicas de uma pessoa, o que pode ocorrer através da leitura de íris, reconhecimento facial, impressão digital ou outras tecnologias. 

Entre várias aplicações, a biometria pode ser empregada para desbloqueio de aparelhos celulares, acesso a edifícios, conclusão de transações financeiras em caixas eletrônicos e liberação de serviços oferecidos por instituições públicas.

Perdas ou roubos de dados biométricos é temor de metade dos respondentes

De acordo com a Lei Geral da Proteção de Dados Pessoais (LGPD), as informações biométricas de um indivíduo são consideradas dados sensíveis por permitirem identificar uma pessoa, podendo ser usado de maneira discriminatória. 

No estudo do Capterra, um em cada dois respondentes mostraram que a maior preocupação, no caso de uso de métodos biométricos, é a violação de dados, que pode levar a perdas ou roubos de dados biométricos. 

Em seguida, as pessoas mostraram que temem também o uso indevido de dados biométricos (48%) e de possíveis roubos de identidade (46%), conforme o gráfico abaixo:

Os principais temores das pessoas em relação ao uso de tecnologia biométrica

Ainda que levantassem preocupação em relação ao uso de tecnologia biométrica, quando questionados que tipos de dados biométricos pessoais compartilhariam com empresas, somente 22% dos respondentes disseram que não se sentiriam confortáveis compartilhando informações biométricas –como mencionado anteriormente, foram listados sete métodos. 

Por outro lado, os respondentes que topam compartilhar, destacaram os seguintes métodos:

  • 55% compartilharia impressão digital
  • 43% compartilharia características faciais
  • 33% compartilharia características de voz

Tipo de empresa não influencia na percepção dos consumidores

O Capterra também investigou se as pessoas se sentiriam mais motivadas a compartilhar dados com empresas privadas ou públicas. Entretanto, não foi identificada nenhuma flutuação entre os números, o que não indicou haver mais confiança em um ou outro tipo de empresa.

Tanto para empresas públicas quanto privadas, 3 em cada 10 entrevistados se definiram como “um pouco confortável” na hora de compartilhar seus dados pessoais, como nome, data de nascimento e endereço (33% dos respondentes no caso de empresas privadas e 36% para instituições públicas).

Comparação da disposição das pessoas em compartilhar dados pessoais com empresas privadas e públicas

Um resultado bastante semelhante foi identificado com os dados sensíveis, que incluem informações como etnia e dados genéticos.

Curioso observar que, ainda para os dois tipos de empresas, a maior parte dos respondentes considera “um pouco desconfortável” compartilhar imagens de documentos pessoais –35% no caso de empresas privadas e 36% no caso de instituições públicas–, enquanto se sentem “muito confortáveis” compartilhando dados de imunização –49% no caso de empresas privadas e 48% no caso de instituições públicas–, o que pode estar totalmente associado à crise sanitária e à necessidade de apresentar certificados de vacinação para cumprir determinadas atividades.

Em que condições as pessoas topariam compartilhar seus dados pessoais?

Os entrevistados foram questionados se topariam compartilhar seus dados pessoais com empresas privadas e públicas. A maioria das pessoas declarou que aceitaria apenas em alguns casos (69%).

DICA DE ESPECIALISTA

Com a implementação da LGPD, empresas devem seguir uma série de recomendações em relação ao uso e tratamento dos dados de seus clientes. No caso de dados sensíveis –entre eles, as informações biométricas– só será possível tratá-los se tiverem o consentimento explícito do proprietário das informações.

Portanto, para estar adequado à legislação, é importante utilizar pontos de contato com o consumidor, como FAQ, para esclarecer aos titulares o objetivo da colheita de dados. Além disso, vale a pena reforçar os protocolos de segurança da companhia através do uso de softwares de cibersegurança, o que evita vazamentos de dados e ajuda a estar em conformidade com a legislação.

E o que faria com que aceitassem compartilhar? Ao que parece, a transparência. Isso porque se fosse fornecida “uma declaração sobre quais informações estão sendo coletadas” (76%) e se fosse fornecida “uma declaração sobre como as informações estão sendo usadas” (61%) as pessoas se sentiriam mais motivadas a compartilhar. 

Já os 16% que disseram que topam compartilhar seus dados pessoais, destaca-se uma situação que os faria mudar de ideia: a falta de confiança na entidade que está coletando seus dados (51% citaram essa resposta).

Impressão digital é a tecnologia biométrica mais usada por brasileiros

No estudo, 89% dos entrevistados disseram que usam regularmente sua impressão digital como forma de autenticação. Esse número se mostra muito mais alto no Brasil do que em outros países onde foi realizada a mesma pesquisa. Na Alemanha, por exemplo, o uso regular da impressão como método biométrico é de 52% e na França é de 47%.

A impressão digital, outra tecnologia biométrica, é o principal método usado por brasileiros

Levando em conta o contexto do Brasil, tal resultado parece não surpreender, afinal, a autenticação por impressão digital já é aplicada por bancos brasileiros pelo menos desde 2011 para a retirada de dinheiro em caixas eletrônicos. 

Destaca-se também o projeto da Justiça Eleitoral brasileira que visa identificar os eleitores por biometria. Ao votar, a urna eletrônica só seria liberada a partir da identificação da impressão digital do eleitor. 

Ambos casos são exemplos de aplicações biométricas que podem ser responsáveis pela disseminação do método em território nacional.

Os principais métodos biométricos usados pelos respondentes

O que, sim, parece surpreender é o alcance da biometria facial, que é realizada através do escaneamento do rosto. Segundo o estudo do Capterra, 59% dos entrevistados declararam que usam o escaneamento facial como forma de identificação.

Por ser uma tecnologia constantemente envolta em polêmicas, em especial no âmbito da segurança pública, poderia se esperar uma menor inserção dela entre o público.

Qual o principal uso da biometria pelos entrevistados?

Até o momento, o desbloqueio de celular (83%) é o principal uso que as pessoas parecem fazer da biometria. Ao considerar o tipo do sistema operacional em que a maioria utiliza a biometria, a maioria citou os celulares Android (81%) –apenas 26% declaram utilizar biometria em aparelhos iOS.

Além do uso para desbloquear celular, as pessoas também usam a biometria para concluir transações em caixas eletrônicos (74%) e operações financeiras (63%), como uso de aplicativos bancários.

Pandemia não influenciou aumento de uso da biometria

Segundo a pesquisa do Capterra, a maioria dos entrevistados (82%) já usava o método biométrico por impressão digital antes da pandemia. Cenário semelhante é encontrado com o escaneamento facial, que já era usado por 51% dos entrevistados antes da crise sanitária. 

Outro ponto é que 74% dos entrevistados disseram que o COVID-19 não alterou o método deles de proteção de dispositivos móveis de uma senha para métodos biométricos. 

Já os 26% que foram, sim, influenciados pela pandemia, as razões que justificam a alteração porque estavam buscando mais segurança contra fraudes e também redução de contato por conta do COVID-19 acabaram sendo algumas das principais preocupações.

Segundo o estudo do Capterra, 48% dos entrevistados disseram que se sentem muito mais preocupados com privacidade de dados desde que a pandemia começou.

Principais destaques

  • Impressão digital e reconhecimento facial são os principais métodos biométricos usados pelos brasileiros. A confiança já é tamanha que também figuram entre as principais informações biométricas que as pessoas topam compartilhar com empresas privadas.
  • A impressão digital é usada regularmente por 89% dos entrevistados. Tal patamar pode ser decorrente de atividades como desbloqueio de celular e operações financeiras.
  • Mais de dois terços (69%) dos entrevistados compartilhariam, com ressalvas, seus dados pessoais com empresas públicas ou privadas.
  • A transparência parece ser o principal motivador que levaria os respondentes a compartilhar seus dados com uma entidade pública ou privada.

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Metodologia

A fim de reunir os dados presentes neste relatório, o Capterra realizou uma pesquisa online entre os dias 11 e 16 de fevereiro de 2022, que contou com a participação de 725 pessoas. Para participar, os entrevistados deveriam ter mais de 18 anos e ter realizado alguma atividade online nos últimos 12 meses. Além disso, também foi avaliado se tinham conhecimento sobre a aplicação de biometria. Os outros países citados neste artigo também utilizaram a mesma segmentação de pesquisa empregada no mercado brasileiro, sendo que a Alemanha contou com a participação de 745 pessoas e, no caso da França, foram registrados 716 participantes. Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.

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Sobre o(a) autor(a)

Analista de conteúdo do Capterra, cobre as tendências de tecnologia e inovação. Jornalista com mestrado em comunicação pela UAB, de Barcelona. Gosta de criar playlists aleatórias.

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