Maioria das PMEs já conhece o conceito de open banking

Publicado em 24/08/2021 por Marcela Gava

Most SMEs already know what open banking is, a new creation of the Central Bank

O sistema open banking (banco aberto, em tradução ao português) está virando realidade no Brasil, e os gerentes de pequenas e médias empresas (PMEs) parecem já estar informados sobre o assunto. 

Pelo menos é o que indica a pesquisa do Capterra sobre o estado de conhecimento do open banking entre as PMEs brasileiras. A análise evidenciou que 65% dos entrevistados têm algum conhecimento sobre o conceito, enquanto 21% não têm certeza e 14% afirmaram não saber do que se trata.

Open banking and SMEs: the level of knowledge about the system

Para esse levantamento, o Capterra ouviu 495 gerentes responsáveis pelas áreas financeira e de contabilidade ou coordenadores envolvidos diretamente na atividade nas empresas em que trabalham. Apenas profissionais que atuam em PMEs participaram do estudo (acesso à metodologia completa no final do artigo). 

O nível de conhecimento sobre open banking varia de acordo com o grau de maturidade da empresa. As que estão em fase de expansão, consolidadas ou se internacionalizando são as que têm mais familiaridade com o tema (69%, 72% e 62%, respectivamente). Por outro lado, as que estão em estágio inicial, chega a 39% a quantidade de respondentes que desconhecem o sistema open banking.

Embora as soluções baseadas em open banking passarão a surgir assim que o sistema for implementado, a expectativa é que o compartilhamento de informações financeiras gere novos serviços e integrações relacionados a sistemas de contabilidade, sistemas de pagamentos e sistemas ERP, que podem ajudar as PMEs a melhorarem a gestão de suas rotinas. 

O que é open banking?

O open banking é uma infraestrutura tecnológica implementada pelo Banco Central do Brasil que permite que instituições financeiras troquem dados de seus consumidores entre si sempre que houver consentimento por parte do cliente –também é possível que o interessado revogue o seu consentimento.

Este compartilhamento de informações permite que pessoas físicas e jurídicas sejam correntistas de um banco e possam usar seu histórico financeiro daquela instituição para contratar serviços financeiros de terceiros. Atualmente, se a empresa desejasse contratar serviços e produtos de uma instituição que não tem conta, teria primeiro que criar um relacionamento com a empresa. 

Para promover este compartilhamento, o BC desenvolveu uma API (sigla de Application Programming Interface, ou Interface de Programação de Aplicativos em português) que padroniza as informações e a troca de dados. 

A implementação do open banking no Brasil está dividida em quatro etapas. Recentemente, em agosto de 2021, foi implementada a segunda etapa do sistema, que permitirá que as instituições financeiras realizem o compartilhamento de dados cadastrais de seus consumidores –mediante autorização do proprietário das informações. 

É importante observar que, mesmo que a maioria dos gerentes de PMEs já tenha ouvido falar do tema, isso não significa que tais profissionais possuam um conhecimento aprofundado sobre o conceito.

Das pessoas que já ouviram falar do open banking, 54% diz que possui conhecimento médio, mostrando que ainda há um longo caminho a ser percorrido pelo Banco Central, instituições financeiras e fintechs na conscientização de empreendedores para que haja uma forte adesão de PMEs ao sistema. 

Com implementação em 2018, o Reino Unido é considerado o país pioneiro no sistema de open banking —e é este sistema que o Brasil usa como modelo. Por lá, estima-se que apenas 3 milhões de britânicos —considerando pessoas físicas e jurídicas— aderiram ao compartilhamento de dados financeiros desde a implantação do open banking.

Entretanto, se o open banking seguir o mesmo caminho de implementação do Pix, a adoção será rápida —apenas sete meses após seu lançamento, a ferramenta de pagamentos já possuía mais de 250 milhões de chaves instaladas e uma ótima reputação entre a população brasileira.

75% dos gerentes de PMEs veem o open banking com otimismo

Embora o open banking seja um conceito complexo e as soluções baseadas no sistema estejam em fase de desenvolvimento, 7 de cada 10 entrevistados pelo Capterra se consideram otimistas, em algum grau, com a novidade.

The sentiment of SMEs in relation to open banking

O maior benefício identificado pelos gerentes com a implantação do open banking é o aumento da oferta de produtos e serviços oferecidos por instituições financeiras, fintechs e bancos tradicionais, já que, como mencionado, eles poderão criar novas opções de serviços e tarifas para atrair a clientela e se destacar da concorrência.

Compartilhar ou não compartilhar: eis a questão

Mas o otimismo por si só não faz com que as pessoas se sintam motivadas a compartilhar os dados financeiros das suas empresas para usufruir do open banking.

De acordo com a pesquisa do Capterra, a maior parte dos entrevistados (51%) se sente moderadamente disposta a compartilhar seus dados entre instituições para usufruir do sistema de banco aberto.

Aqui, mais uma vez, o nível de maturidade da PME influencia na percepção. As companhias que estão em nível de internacionalização são as que estão mais dispostas a partilhar dados via open banking (54%); por outro lado, as que estão em estágio inicial são maioria (22%) entre as empresas que estão pouco dispostas ao compartilhamento.

Dos que não estão dispostos a compartilhar dados (apenas 7%) disseram que não o fazem porque têm receio de cair em fraudes ou golpes digitais. Vale reforçar que a implementação do open banking ocorre após o megavazamento de 223 milhões de dados de brasileiros, que também incluiu uma lista com informações de CNPJ, o que ainda pode influenciar na percepção das pessoas sobre a segurança dos seus dados.

No entanto, se tem um fator que motivaria as PMEs a compartilhar dados é pagar ou receber contas com mais rapidez (35%). Além desse motivo, as pessoas também estariam interessadas em usar o open banking se, através dele, conseguissem melhorar o score de crédito (32%) ou encontrar melhores serviços ou produtos financeiros (29%).

Novos paradigmas em produtos e serviços financeiros

O Capterra também quis entender quais tipos de serviços as PMEs se empolgam em utilizar através do open banking. 

Em relação aos produtos que as pessoas pretendem utilizar, o mais requisitado é ter acesso a produtos e serviços que sejam customizados de acordo com as características da empresa –esta foi a opção mais citada pelos entrevistados (65%). Com o histórico financeiro em mãos, as instituições financeiras são capazes de oferecer produtos e serviços que levam em conta as especificidades de cada negócio.

Em seguida, as PMEs pretendem ter acesso a aplicativos de aconselhamento e planejamento financeiro (46%) e, em terceiro lugar, a iniciadores de pagamentos, que são soluções que permitem realizar transações financeiras entre duas entidades distintas (40%).

No Reino Unido, que, como explicado anteriormente, é a principal referência quando se trata de open banking, já é possível identificar tendências mais consolidadas. Ali, destaca-se o uso de agregadores. Tratam-se de plataformas que permitem conectar, em uma mesma interface, dados de todas as instituições onde os clientes possuem contas, fazendo com que informações dispersas se encontrem em um mesmo lugar. 

Por sua vez, no Brasil, o uso de agregadores foi um dos serviços menos citado entre os respondentes (32%), ficando na frente da possibilidade de contratação de serviços de instituições que não têm relacionamento (31%). Entretanto, apenas quando houver a oferta dessas soluções é que se poderá identificar tendências.  

Confiança nos bancos: nem alta, nem baixa

Mesmo que o open banking signifique um grande avanço para o sistema financeiro brasileiro, há diferentes desafios para as instituições que participam deles. Um dos principais é conquistar a confiança dos consumidores.

O levantamento do Capterra analisou qual o nível de confiança das PMEs brasileiras em relação às instituições financeiras. Bancos tradicionais, públicos e digitais foram considerados por mais da metade dos entrevistados como sendo de “confiança moderada”, conforme o gráfico abaixo:

Level of confidence of SMEs in institutions that practice open banking

Tal resultado expõe que, mesmo com otimismo e disposição para usufruir do open banking, players que pretendem oferecer serviços relacionados ao open banking devem primeiramente focar em conquistar a confiança das PMEs, que ainda possuem ressalvas em relação à novidade.

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Metodologia

Para reunir os dados presentes neste estudo, o Capterra realizou um levantamento online entre os dias 9 e 16 de julho em que ouviu 495 profissionais de pequenas e médias empresas de diferentes setores de todo o País. Os entrevistados eram proprietários das empresas ou ocupavam cargos de gerência e eram responsáveis pelas áreas financeira e de contabilidade ou eram envolvidos diretamente na tarefa. Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.

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Sobre o(a) autor(a)

Analista de conteúdo do Capterra, cobre as tendências de tecnologia e inovação. Jornalista com mestrado em comunicação pela UAB, de Barcelona. Gosta de criar playlists aleatórias.

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