Investir em criptomoedas está no radar de 52% dos brasileiros

Publicado em 15/11/2021 por Marcela Gava

Embora não seja regulamentada pelo Banco Central nem figure como um sistema de pagamentos oficial no varejo, investir em criptomoedas passa a fazer parte, pouco a pouco, da rotina dos brasileiros. Para pequenas e médias empresas (PMEs), é importante conhecer a tendência que um dia pode se consolidar como um meio de pagamento.

52% dos brasileiros pretendem investir em criptomoedas

As criptomoedas são ativos digitais baseados em criptografia. Isso significa que elas existem apenas no meio digital, mediante mecanismos de segurança que misturam dados que só são acessíveis aos indivíduos que têm essas chaves das informações. 

Elas surgiram após a crise financeira de 2008 como uma alternativa às moedas tradicionais, e foram lançadas oficialmente em 2009, com o advento do Bitcoin. Também se tratam de ativos financeiros descentralizados, ou seja, não há uma regulamentação realizada por uma entidade, como o Banco Central do Brasil (BC).

Isso significa que, em relação às criptomoedas, não existem barreiras geográficas, já que usuários de diferentes países podem fazer transações usando a moeda. Não há nenhum tipo de lastro oficial em relação às criptomoedas. 

Neste artigo, o Capterra apresenta uma pesquisa que investiga o uso das criptomoedas no Brasil, destrinchando questões relacionadas ao nível de conhecimento e comportamento acerca das criptomoedas. O levantamento entrevistou 999 brasileiros de todas as partes do país em outubro de 2021 (confira a metodologia completa no final do texto).

Mais da metade dos entrevistados está interessado em investir em criptomoedas

Cerca de 52% dos brasileiros planejam comprar ou usar criptomoedas, segundo o levantamento do Capterra. Veja a distribuição no gráfico abaixo:

O estado do investimento em cripto no Brasil

O estudo mostrou ainda que 56% dos entrevistados possuem conhecimento sobre o assunto, enquanto 44% disseram ter algum conhecimento. 

Esses resultados aparecem ao mesmo tempo em que as criptomoedas se mostram em expansão tanto em popularidade quanto em uso. 

Só para se ter uma ideia, no ano passado, o maior representante das moedas digitais, o Bitcoin, registrou um aumento de 143% nas buscas na internet. Já a adoção de criptomoedas, a nível mundial, registrou um crescimento de 881% (conteúdo em inglês).

Um dos fatores que aumentou a busca pelo ativo foi a própria crise sanitária, levando as pessoas a buscarem investimentos alternativos por receio de crises econômicas, aumento da inflação e desvalorização monetária.

Como os brasileiros se informam sobre criptomoedas

O estudo do Capterra mostrou que não é somente a forma de investir que é uma novidade, mas a maneira de se atualizar sobre o assunto. A maioria dos entrevistados (62%) declarou que usa o YouTube para buscar informações sobre criptomoedas. No Brasil, já figuram alguns canais famosos especializados em moedas digitais, alguns com mais de 200 mil seguidores. Em seguida ao YouTube, as pessoas demonstraram seguir um caminho tradicional, informando-se sobre criptomoedas através de sites de notícias especializados no assunto (43%). 

A pesquisa do Capterra comprova essa movimentação motivada pela crise sanitária. Segundo o estudo, dos que já compraram ou planejam comprar, 59% disseram que a pandemia os influenciou a tomar tal decisão, no entanto, a justificativa para o investimento é diferente: 3 de cada 10 comentaram que a pandemia lhes deu mais tempo para pesquisar sobre o assunto.

Os fatores que justificam investir em criptomoedas

Outro dado mostra que o uso de criptomoedas é algo recente na vida do brasileiro, reforçando que a pandemia exerceu grande influência na sua adoção. De acordo com o levantamento, a maioria dos investidores têm optado por criptomoedas nos últimos 6 meses a um ano (31%). 

Aposta em moedas digitais gera percepção positiva

As pessoas que compraram criptomoedas se declaram satisfeitas: 7 de cada 10 investidores possuem uma visão positiva do negócio realizado. Destrinchando esse dado, 54% se declararam bastante satisfeitos e 19% se declararam totalmente satisfeitos. 

No outro extremo estão os que não ficaram contentes com o investimento: apenas 12% dos entrevistados se consideram pouco ou nada satisfeitos com seus investimentos em criptomoedas.

Os respondentes também foram solicitados para elencar os fatores que os fazem gostar das criptomoedas. A maioria afirmou que se atrai pelo lucro gerado pelo investimento, embora considerem o investimento arriscado (73%). 

Também se destaca a quantidade de gente (66%) que gosta desse investimento por sentir que faz parte de algo inovador e alternativo. 

Brasil sai na frente na adoção de moedas digitais

A mesma pesquisa sobre criptomoedas foi realizada em outros mercados onde o Capterra está presente, distribuídos pela América do Norte, Europa e Oceania. Na comparação entre países, o Brasil se consolida como o principal mercado em termos de adoção de criptomoedas pela população. 

Por aqui, a taxa de respondentes que disseram já usar criptomoedas chega a 37%. O país que ocupa a segunda colocação, a Espanha, possui uma diferença de 10% em relação ao percentual brasileiro. Outros países ocupam uma posição ainda mais distante. No outro extremo está a Alemanha, registrando uma quantidade ínfima de respondentes (16%) que declararam já ter aderido às moedas digitais. 

Investir em criptomoedas segundo cada país

Em relação às pessoas resistentes ao uso das criptomoedas, o Brasil registra a menor taxa entre os países apresentados, uma vez que apenas 11% dos brasileiros se mostraram relutantes em usar criptomoedas. Em outros países, como Alemanha e França, essa quantidade chega a metade ou quase metade dos entrevistados.

É verdade que cada país possui uma relação diferente com as criptomoedas. Em El Salvador, o Bitcoin foi estabelecido como moeda oficial no país em setembro de 2021; enquanto na China, no mesmo período, todas as transações com ativos digitais passaram a ser ilegais

No entanto, há um eixo que justifica por que há diferenças entre alguns países em relação ao uso de criptomoedas. O levantamento Global Crypto Adoption Index (estudo disponível apenas em inglês) elencou os principais países que adotaram criptomoedas no último ano. Nota-se que os cinco principais países (Vietnã, Índia, Paquistão, Ucrânia e Quênia) são países considerados emergentes. 

Algumas das explicações para este fato é que, em economias emergentes, investir em criptomoedas é uma maneira de salvaguardar as finanças pessoais frente à desvalorização da moeda nacional, segundo informações do Estadão. Como as criptomoedas são moedas descentralizadas, órgãos reguladores não conseguem interferir nas transações.  

Outro fator, também citado pelo jornal, que explica essa adoção é a transferência de dinheiro para outros países com taxas bem menores, sem necessidade pagar taxas de operações cambiais como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no caso do Brasil, além da agilidade e rapidez na transferência de valores de pessoa para pessoa. No caso de países europeus e norte-americanos, a compra de moedas digitais foi impulsionada por investimentos institucionais.

Ainda no ranking citado acima, o Brasil figura na 14ª posição. De fato, o país vem enfrentando a desvalorização do real foi a sexta moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar em 2020 e segue caminho semelhante neste ano, ocupando a quarta colocação, além disso, o governo implementou novas alíquotas para IOF, o que pode deixar as transações cambiais mais caras. Tal cenário está em consonância com a explicação de especialistas em relação à busca de países emergentes por criptomoedas.

Brasileiros investem de 5% a 10% da sua carteira em criptomoedas

O investimento em criptomoedas depende do uso de um intermediador, que podem ser corretoras especializadas, fundos de investimentos, corretora de valores, peer-to-peer (transação direta entre duas pessoas) e corretoras descentralizadas. 

A maioria dos investidores brasileiros de criptomoedas (quase 90% dos entrevistados) utiliza plataformas de câmbio de criptomoedas para realizar a transação, sendo que mais da metade dos investidores em criptomoedas (85%) relataram que as compram sozinhos.

Em seguida às plataformas de câmbio, os entrevistados também declararam que usam plataformas de trading (31%) e plataformas de banco online (19%).

Na hora de investir, 27% dos entrevistados disseram dedicar de 5 a 10% da sua carteira de investimentos à compra ou negociação de criptomoedas. Neste ponto, a fração está bastante distribuída pelas faixas listadas na pesquisa, como mostra o gráfico abaixo:    

A porcentagem de investimentos que as pessoas dedicam a criptomoedas

Mais famosa no mercado, não surpreende que 91% dos brasileiros invistam em Bitcoin; em seguida Ether (46%) e Binance Coin (22%) também estão entre as moedas digitais mais citadas pelos participantes da pesquisa do Capterra.

As 3 principais moedas compradas pelos brasileiros

1- Bitcoin (BTC): é considerada a primeira moeda digital do mundo, por isso é a mais famosa. Sua aparição data de 2008, durante a crise financeira que afetou diversos países. Em 2020, a criptomoeda alcançou uma impressionante valorização de 900%.

2- Ether (ETH): em 2014, os fundadores Gavin Wood e Vitalik Buterin lançaram a plataforma Ethereum para a comercialização da moeda ETH e a execução de contratos inteligentes. Para adquiri-la, é muito comum que as pessoas comprem primeiro Bitcoin e as troquem por Ether em casas de câmbio.

3- Binance Coin (BNB): foi lançada em 2017 pela maior corretora de criptomoedas do mundo, a Binance. Pela estratégia de desenvolvimento da empresa para o ativo, a moeda se tornou uma das mais negociadas. Mais recente empreitada da Binance foi o lançamento de um fundo de 1 bilhão de dólares para aceleração de uma de suas moedas, a Binance Smart Chain.

“Hot Wallet” é a carteira preferida dos investidores brasileiros

Para a manutenção de suas criptomoedas, que inclui o envio e o recebimento de valores, os investidores necessitam utilizar cripto carteiras. São elas que armazenam as chaves públicas e privadas para orientar transações. Além da função de gestão dos ativos digitais, este recurso, que muitas vezes vem acoplado a serviços oferecidos por corretoras, também exerce uma função de segurança contra ataques de hackers. 

As cripto carteiras estão divididas da seguinte maneira:

  • Hot wallets: também chamadas de carteiras quentes, são carteiras totalmente digitais que promovem transações com bastante agilidade. A pesquisa do Capterra mostrou que a maioria dos brasileiros (68%) preferem armazenar suas moedas digitais através deste recurso. Embora seja protegida por diferentes tipos de autenticação, pode ser considerada de risco por conta de possíveis invasões hackers. 
  • Cold wallets: a carteira fria (nome traduzido do inglês) se diferencia da opção anterior porque armazena os ativos fora da internet. Empresas responsáveis por esse tipo de armazenamento utilizam dispositivos móveis, como USB ou softwares. Cerca de 39% dos brasileiros usam esse recurso para o armazenamento das suas criptomoedas. 
  • Paper wallet: conhecida também como carteira de papel, nesta modalidade o usuário imprime as chaves privadas e públicas da suas criptomoedas, assim não tem que armazenar no ambiente online. No entanto, caso perca a documentação, corre o risco de não acessar mais seus ativos digitais. Por aqui, 13% dos entrevistados armazenam suas moedas dessa maneira.
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Empresários de pequenas e médias empresas (PMEs) que avaliam receber pagamentos via criptomoedas devem avaliar a implementação de um software de carteira de criptomoedas. Esta ferramenta permite a gestão de carteiras de criptomoedas, além de facilitar o recebimento de pagamentos –muitas vezes, convertendo-os em moedas fiduciárias.

Criptomoedas será um investimento de longo prazo

Mais da metade de quem ainda não investiu em criptomoedas, mas tem interesse em comprá-las (52% dos entrevistados, como citado no início do texto), pretende fazer esse investimento nos próximos cinco anos. Destrinchando o dado, 38% acha um pouco provável e 30% acha muito provável que fará esse investimento.

O que impediu as pessoas, até agora, de investirem em criptomoedas foi a falta de conhecimento sobre o assunto (caso de 52% dos entrevistados), seguida pela preocupação de segurança e privacidade sobre as plataformas de câmbio e a tecnologia de criptomoeda (44%).

Risco afasta brasileiros da compra de criptomoedas

No estudo do Capterra, 11% declararam que não planejam comprar ou usar criptomoedas. Quando questionados do porquê de não fazer esse investimento, a maioria acredita que é muito arriscado (40%), mas também há quem também cite a falta de conhecimento como um impeditivo na aquisição de criptomoedas (39%). 

Elas garantem que o que fariam com que comprassem criptomoedas é que se pudessem entender melhor o tema (51%) e se eu pudesse usá-la como método de pagamento na maioria das lojas em que comprou (40%). 

É importante destacar que mais informação e educação em torno das criptomoedas podem ajudar a acelerar a popularização e aceitação desta moeda como um método de pagamento em lojas, por exemplo. A importância que governos vêm dando ao tema indica que há um pequeno caminho sendo aberto para as moedas digitais. 

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Metodologia:

Para reunir os dados presentes neste estudo, o Capterra realizou um levantamento online entre os dias 4 e 5 de outubro de 2021 em que ouviu 999 brasileiros e brasileiras com mais de 18 anos e de todas as regiões do país.

O painel contou com 50% dos entrevistados do sexo feminino e 49% do sexo masculino –1% dos entrevistados optou por autodescrever o seu gênero.

Outros países citados neste artigo possuíram a mesma segmentação com a seguinte quantidade de respondentes:

  • Alemanha (1012)
  • Austrália (1000)
  • Canadá (1008)
  • Espanha (997)
  • França (955)
  • Itália (1003)
  • Reino Unido (1006) 

Para participar do estudo, os entrevistados tinham que selecionar se conhecem ou estão familiarizados com o conceito de criptomoedas. Os participantes selecionados responderam “Sei o que é” ou “Tenho algum conhecimento” sobre criptomoedas e validaram seu conhecimento em uma questão subsequente.

Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.


NOTA: Este artigo pretende informar nossos leitores sobre temas relacionados a atividades empresariais no Brasil. Não se destina, em nenhum caso, a fornecer assessoramento financeiro nem a incentivar uma tomada de ação. Para aconselhamento sobre sua situação específica, consulte seu assessor financeiro.

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Sobre o(a) autor(a)

Analista de conteúdo do Capterra, cobre as tendências de tecnologia e inovação. Jornalista com mestrado em comunicação pela UAB, de Barcelona. Gosta de criar playlists aleatórias.

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