Metaverso em empresas: conheça algumas possibilidades de aplicação

Publicado em 01/03/2022 por Marcela Gava

Embora longe de estar terminado e sem protocolos ainda claros, o metaverso é uma extensão do mundo físico que desponta como tendência tecnológica (mas que deve se intensificar somente em alguns anos). Antes de adentrarmos de vez nesse ambiente virtual, é importante conhecer as possibilidades oferecidas pelo metaverso em empresas.

A aplicação do metaverso em empresa resultará em quebras de paradigmas para diferentes atividades

Existe um antes e um depois para o metaverso. Com o anúncio da mudança do nome da companhia Facebook Inc para Meta, em outubro de 2021, Mark Zuckerberg jogou a luz para cima desse conceito. A partir de então, focou-se especialmente em tentar entender como essa extensão virtual do mundo físico transformará o dia a dia das pessoas.  

Um artigo da Gartner sobre tecnologias emergentes (conteúdo em inglês) afirma que, embora o metaverso ainda seja uma tecnologia disruptiva distante pelo menos uma década da realidade atual, ele estende a capacidade de computação em uma ordem de magnitude além do que está disponível hoje e muda fundamentalmente a forma como indivíduos e organizações interagem uns com os outros e com o mundo.

Isso porque passaremos de uma internet de textos, imagens e vídeos para uma experiência de se sentir presente dentro de um espaço virtual.

 No entanto, vale a pena lembrar que, com o metaverso, entraremos não apenas no próximo estágio evolutivo da internet, mas em um sistema que pode gerar cerca de US$ 1 trilhão em receita anual

Atualmente, o que possuímos em termos de metaverso em empresa está mais alinhado ao que já vivenciamos através do uso de software de realidade aumentada e de software de realidade virtual –mas claro, as possibilidades que se abrirão para o futuro se mostram infinitas. 

Para ajudar você a entender melhor o conceito, o Capterra buscou exemplos práticos de aplicações do metaverso. Antes de ir propriamente aos exemplos, começaremos destrinchando o termo.  

O que é o metaverso? 

O metaverso é um espaço online compartilhado, fruto da convergência entre ambientes virtuais e reais, segundo definição da Gartner (conteúdo disponível em inglês para assinantes), que permite aos usuários caminhar, conversar e se visualizar dentro de um ambiente tridimensional. 

Essa extensão virtual do mundo real existe graças à combinação de muitas outras tecnologias, como realidade aumentada, Internet das Coisas (IoT), imagens 3D, inteligência artificial (AI), além da ascensão de novos modelos de trabalho e interação entre pessoas (a comunicação online, por exemplo).

Metaverso é a união de meta (transcendência) e verso (uma redução da palavra universo)

A expectativa é que o metaverso, quando já tenha evoluído, replique atividades do mundo real –e até mesmo possa melhorá-las com a criação de cenários inventados, graças à sua característica de realismo, interatividade e conexão social. É por essa nova capacidade de interação que também há muita expectativa em torno do metaverso em empresa.

Exemplo de uma interação social através do metaverso, apresentada pela empresa norte-americana Meta, de Mark Zuckerberg (Fonte [conteúdo em inglês])

No metaverso, o usuário pode entrar e sair o mundo virtual sempre que tiver vontade, e a participação nesse espaço se dá com o uso de acessórios especiais, como:

  • Óculos de realidade virtual/aumentada: também conhecido como head-mounted display (ou apenas HMD), está equipado com câmera, microfone e alto falante; 
  • Avatares online: são bonecos online que representam um indivíduo; eles podem ter sua aparência personalizada através da aquisição de roupas e acessórios; 
  • Terras digitais: podem ser espaços inventados, adquiridos em sites especializados, ou que simulem um ambiente real.

Atualmente, existem diversas empresas focando no desenvolvimento do metaverso, o que pode tornar o conceito fragmentado, gerando diversos tipos de entendimento sobre a tecnologia e diferentes tipos de metaversos. A Gartner prevê que, até 2029, o conceito será único ou limitado a um determinado número (conteúdo disponível em inglês para assinantes).   

Conheça algumas das aplicações do metaverso em empresa

Ainda que os benefícios e oportunidades do metaverso em empresas ainda estejam longe de serem aplicados e vivenciados no nosso dia a dia, já se pode antever inúmeras situações emergentes desse universo virtual na vida cotidiana das pessoas. 

O que se sabe é que, apesar das experiências incluídas nessa realidade alternativa não substituírem completamente as interações digitais atuais –que fazemos via aplicativos e sites, por exemplo–, no futuro, elas possivelmente substituirão muitas delas de formas ainda impensadas, provavelmente com novos tipos de interações e modelos de negócios. 

Quando o metaverso acessa o contexto corporativo

A criação de ambientes de trabalho virtuais nos quais equipes inteiras podem fazer reuniões, treinamentos, desenvolver projetos e realizar onboarding de novos funcionários, como se todos estivessem juntos em uma mesma sala, de certa forma, já é realidade. Mas, dentro do contexto do metaverso, a prática vem sendo aprimorada para melhorar a experiência imersiva. 

Neste uso, os funcionários vestiriam um óculos especial e seriam transportados diretamente para uma sala de conferências, onde cada pessoa é representada por um avatar e pode interagir com as outras ou com computadores e projetores presentes no espaço –uma pesquisa já mostra que 44% dos funcionários topariam trabalhar através do modelo proporcionado pelo metaverso. 

Você sabia? Em entrevista recente, o executivo da Meta, Vishal Shah, declarou que a expectativa é que a próxima geração de óculos de realidade virtual tenha mais sensores e câmeras que possam capturar feições faciais, o que descartaria a necessidade de um avatar. Atualmente as expressões dos avatares são baseadas em palavras-chave quando o indivíduo está falando. 

A descrição está totalmente em sintonia com o que a Meta, empresa de Zuckerberg, vem desenvolvendo através do Horizon Workrooms, uma de suas empreitadas em direção ao metaverso em empresa. 

Ainda em fase de desenvolvimento, essa plataforma de realidade virtual simula um ambiente de trabalho virtual, adaptado a diferentes situações, como workshops ou reuniões stand-up, e permite a interação entre funcionários, que gesticulam e emitem expressões faciais.

No Brasil, uma empresa de recrutamento, em um projeto piloto, testou o uso do metaverso no recursos humanos. Confira o vídeo abaixo:

O processo de recrutamento é um dos usos do metaverso nas empresas (Fonte)

Atualmente, existem softwares de videoconferência que já investem na possibilidade de os participantes escolherem avatares em 3D para participar de reuniões online, o que torna a experiência próxima do que se idealiza para o metaverso. 

Ações de marketing no metaverso 

Muitas das ações de marketing no metaverso estão atreladas aos games. Isso porque, nos jogos, é necessário escolher um avatar para participar da ação. Sabendo disso, as empresas passaram a oferecer acessórios especiais, como vestimentas, que permitem personalizar avatares, ou também criando suas próprias lojas em games como Fortnite, Roblox e Sandbox.

As grifes de luxo parecem ter sido as pioneiras em ativar ações de marketing no metaverso, a partir de games. A marca Balenciaga, por exemplo, desenvolveu quatro roupas virtuais que podiam vestir avatares no Fortnite. Entretanto, a companhia não se restringiu apenas ao virtual. A marca aproveitou para lançar uma coleção física baseada no game que incluía peças como moletons e chapéus. 

No Brasil, a varejista Renner testou um modelo semelhante por meio da ação Renner Play. Também no Fortnite, a varejista lançou dentro do jogo um mapa que simulava uma loja física da Renner. Além de oferecer minigames, a ação espalhou QR codes que direcionam o jogador ao e-commerce da marca. 

Jogadores interagem dentro do ambiente virtual criado pela Renner no Fortnite (Fonte)

Outra maneira de ação de marketing no metaverso é através do patrocínio de jogos de esporte. A marca de cerveja Stella Artois, no mundo real, já patrocinava eventos de esporte premium. No online, uniu-se ao jogo de corrida de cavalos ZED RUN e patrocinou um de seus ambientes, chamado Racing in the Life Artois. 

A Gucci fez uma ação semelhante com o jogo Tennis Clash. Além de criar vestimentas para os personagens, a marca patrocinou uma quadra onde as disputas seriam realizadas dentro do jogo de tênis.

Outra maneira de marketing no metaverso é através de influenciadores virtuais. Vale destacar que o Brasil é o segundo país no mundo que mais se engaja com influenciadores virtuais. Grandes marcas, como a Magalu, com a sua influenciadora Lu, ou celebridades têm criado seus próprios avatares. 

O marketing no metaverso pode ser realizado através de campanhas com influenciadores virtuais
As campanhas da influenciadora virtual Satiko já incluem grandes marcas (Fonte)

Satiko, por exemplo, é a influenciadora virtual da apresentadora Sabrina Sato, criada com tecnologia 3D. Além da possibilidade de gerar novos tipos de engajamentos e experiência com seguidores, a personagem também serve para finalidades comerciais. Suas parcerias já incluem marcas como Coca-Cola, Renner, Eudora e Greenpeace.

Neste tipo de aplicação de metaverso em empresa, além de definir questões como personalidade, estilo de vida e aparência, para criar influenciadores virtuais é necessário trabalhar a modelagem em programas de design gráfico e software CAD 3D.  

Metaverso no comércio eletrônico: novas formas de comprar

O metaverso no e-commerce pode ser um aliado das vendas multicanal. A expectativa é que a tecnologia crie ambientes virtuais de centros comerciais, onde os consumidores poderão testar e experimentar produtos, escolhendo quais querem comprar.

Atualmente as marcas já empregam experiências mais imersivas, que envolvem o uso de realidade virtual ou realidade aumentada. Um exemplo são os provadores virtuais de roupas ou óculos. Através desses ambientes virtuais, é possível experimentar produtos de uma maneira mais realista, em 2D ou 3D, melhorando a experiência de compra

Em termos de passeio virtual, há marcas que investem em uma realidade próxima da experiência proporcionada pelo Google Street View. Uma das marcas que optou por esse tipo de ativação foi a norte-americana American Girl, que criou no digital uma versão da sua loja física (conteúdo em inglês). 

Algo semelhante foi feito pela grife carioca Farm Rio, com o projeto Farm na Nuvem. Com imagem da loja, o usuário pode passear pelo estabelecimento, como em uma loja da Farm de verdade, e clicar em ícones para visualizar as roupas, encontrar cupons de desconto e finalizar a transação ali mesmo.

O metaverso, no entanto, deixaria a experiência de compra ainda mais interativa, melhorando os aspectos gráficos e imersivos da experiência em uma loja virtual. 

Diferentemente das empresas citadas anteriormente, a marca de chocolates Lacta, em sua campanha de Natal, criou uma versão digital 3D da sua loja, onde o consumidor poderia comprar diferentes tipos de chocolates. Também, implementou gamificação ao desafiar os consumidores a encontrar trufas escondidas e, através delas, receber um cupom de desconto. 

Metaverso marketing
A empresa de chocolates Lacta lançou uma experiência de compra no ambiente virtual (Fonte)

No mesmo caminho segue a companhia de telefonia móvel TIM, que inaugurou uma loja virtual dentro de uma plataforma que cria metaversos. A versão virtual replica uma loja física da marca, e a ação é parte da estratégia omnichannel da TIM, permitindo que se realize ali serviços como pagar faturas e adquirir planos de celular.

Já a marca Gucci adotou uma estratégia diferente. A marca de roupas criou uma versão de um tênis que não existe no mundo físico, para ser usado exclusivamente online. O calçado funciona como uma espécie de filtro. Após ser adquirido, o usuário tem de apontar a câmera para os pés para tirar uma foto usando o utensílio. 

Exemplo de uso do calçado Gucci Virtual 25 (Fonte)

Atualmente, para a criação de uma experiência mais imersiva, softwares de realidade aumentada e de realidade virtual são ferramentas que podem ajudar na tarefa. 

Metaverso e os games

Sem dúvida, o setor no qual o metaverso exibe nos dias de hoje uma presença mais ativa é na indústria de games. Não é raro ver produtos serem lançados e ações sendo realizadas no mundo virtual de jogos como Fortnite ou Roblox, por exemplo. 

Talvez pelo fato de um tipo mais simplificado de metaverso ter estreado há bastante tempo nos games. A plataforma de mundo virtual Second Life, de 2003, é frequentemente descrita como o primeiro metaverso, pois incorporou diversos aspectos da vida social em um mundo tridimensional persistente com o usuário representado como um avatar.

Apresentação da cantora Ariana Grande no jogo Fortnite (Fonte)

De lá para cá, é cada vez mais recorrente a simulação de situações típicas da vida real dentro dos games. O jogo Fortnite é recheado delas. Frequentemente, são lançadas peles (as chamadas skins) de celebridades reais, como o jogador Neymar, o ator Will Smith e o cantor Travis Scott.  

Foi também no Fortnite que os jogadores puderam viver uma experiência imersiva juntamente com a cantora pop Ariana Grande. Ao chegarem a um ponto do jogo, os gamers poderiam participar com seus avatares de uma apresentação da cantora e interagirem como se todos estivessem presentes nos cenários dos jogos.

Outro game que explora bem a simulação virtual de situações reais é o GTA RP. Através do servidor Cidade Alta, a empresa iFood lançou uma ação em que usuários poderiam se tornar entregadores da marca de delivery, ganhando dinheiro virtual e cupons de desconto para utilizar no mundo real.

Como mencionado, dentro das possibilidades e ferramentas disponíveis atualmente, há diversas maneiras de trabalhar o metaverso em empresa.

O metaverso já é uma realidade? 

Embora o metaverso em empresa já pareça consolidado, a verdade é que o conceito está apenas no primeiro estágio de desenvolvimento. Muitas oportunidades e áreas de atuação estão por vir. Neste momento, as empresas que querem participar da tendência devem explorar com cautela os impactos que a ação pode trazer para seu negócio, além de avaliar questões de cibersegurança, investimento financeiro e qualidade do material gráfico.

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Sobre o(a) autor(a)

Analista de conteúdo do Capterra, cobre as tendências de tecnologia e inovação. Jornalista com mestrado em comunicação pela UAB, de Barcelona. Gosta de criar playlists aleatórias.

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