Podcasts e lives: coronavírus impulsiona novos tipos de conteúdo

Publicado em 29/09/2020 por Lucca Rossi

Na segunda parte da série de três textos sobre como as pessoas estão consumindo os materiais online produzidos por marcas, o Capterra analisa o comportamento de diferentes públicos-alvo com respeito a podcasts, lives e cursos e webinários.

tipos de conteúdo

A crise do coronavírus fez com que os internautas aumentassem o consumo de conteúdos produzidos por marcas, o conhecido marketing de conteúdo, e diversificassem na escolha dos formatos. 

É o que mostra pesquisa do Capterra sobre o comportamento dos brasileiros em relação a essa estratégia de atração de clientes e posicionamento de marca, em que foram ouvidos 1.021 consumidores de todas as regiões do Brasil entre os dias 20 e 25 de agosto (veja a metodologia completa no final do texto).

Um terço dos entrevistados afirmam acessar os seis tipos de conteúdo analisados na pesquisa (vídeos, posts de texto, newsletters, podcasts, lives e cursos e/ou webinários). Destes, 78% aumentaram o consumo de todos eles após o início da pandemia. 

O crescimento menos significativo ocorreu entre os assinantes de newsletters: 75% dos que acessam esse tipo de conteúdo estão lendo mais newsletters agora do que no período pré-coronavírus. 

Para todos os outros formatos analisados, a quantidade dos entrevistados que afirmam ter aumentado o seu consumo supera os 80%. 

tipos de conteúdo aumento

Como mostra o gráfico acima, os aumentos mais significativos são entre os ouvintes de podcasts e os espectadores de lives.

Trata-se de dois formatos que estão no radar dos produtores de conteúdo há algum tempo, mas que ganharam mais atenção do público com a crise da Covid-19. Em março, no início do confinamento, o número de lives no Instagram aumentou 70%, por exemplo. Já pesquisa da plataforma Deezer aponta que 43% dos brasileiros ouviram um podcast pela primeira vez durante a quarentena. 

Os consumidores e os novos tipos de conteúdos 

Sua empresa cria esses tipos de conteúdos ou está estudando começar a desenvolvê-los? Abaixo, selecionamos alguns dos principais dados da pesquisa sobre a audiência desses formatos para que você conheça o seu público potencial e reunimos dicas de como trabalhar com eles de forma mais efetiva.  

Além dos podcasts e das lives, também trataremos da produção de cursos online e webinários. Estes formatos foram outros dos que ganharam destaque entre os consumidores após a crise, impulsionados pelas mudanças bruscas provocadas pelo confinamento, que exigiram o desenvolvimento de novas habilidades tanto na vida pessoal como na profissional.

1. Podcasts

O certo desconhecimento dos consumidores em relação ao podcast apontado pela plataforma Deezer é confirmado pelos dados do Capterra. Do total de entrevistados, pouco mais da metade (54%) afirma acessar esse tipo de conteúdo, somente à frente das newsletters (51%). 

tipos de conteúdo porcentagem

O que são podcasts? 

Podcasts são programas de áudio produzidos para plataformas digitais, como Deezer e Spotify, e que podem ser ouvidos em diferentes dispositivos, como celulares, tablets ou computadores. São como programas de rádio, mas que podem ser baixados e/ou ouvidos a qualquer momento. Muitos programas de rádio disponibilizam suas produções nesse formato para os ouvintes que perderam as emissões.

Os podcasts não estão igualmente entre os formatos que os usuários passam mais horas consumindo: 42% dos entrevistados afirmam gastar mais de duas horas por semana com esse tipo de conteúdo, contra 51% entre os que assistem vídeos. 

Vale destacar, no entanto, o seu potencial de crescimento quando comparado com outros meios mais consolidados, como o texto. Segundo o estudo, a porcentagem dos que gastam mais de duas horas na semana ouvindo podcasts é praticamente igual aos que dedicam o mesmo tempo lendo posts de texto em blogs ou redes sociais (43%).

tipos de conteúdo tempo semana

Os diferenciais deste canal

O podcast está entre os formatos que concentram o maior número de consumidores com rendas médias e altas: 42% dos que ouvem podcasts recebem três salários mínimos ou mais. Perde apenas para as newsletters, com 44% com ingressos nessa faixa.

Prós

  • Tem potencial de crescimento. Como vimos, apenas metade dos entrevistados afirmam ouvir podcasts. Há espaço, portanto, para conquistar uma grande parcela de público que não tem contato com esse formato, combinando-o com as outras formas de conteúdo que você já adota. 
  • Efeito novidade. Como o podcast começou a ganhar mais atenção recentemente, você pode usá-lo como um diferencial da sua estratégia de conteúdo e atrair consumidores por isso.
  • Mobilidade. O podcast é como o rádio, você pode escutar de qualquer lugar e enquanto faz outras atividades. Use isso a seu favor. 

Desafios

  • Produzir podcasts de qualidade requer mais investimento de tempo e recursos em comparação com outros formatos. Lembre-se que é preciso pensar na parte técnica (microfones, softwares para editar o áudio e local de gravação) e na distribuição (onde quero divulgar meu podcast?). 
  • É bom ter em mente que não há nada além do áudio em um podcast. Sem fotos, imagens ou gráficos, é preciso pensar em roteiros interessantes e em convidados que saibam falar bem ao microfone para que o conteúdo tenha chance de conquistar o público. 
  • No início, você precisará trabalhar para que os consumidores conheçam o seu podcast, o que exigirá um trabalho extra de divulgação. Não é porque as pessoas leem o seu blog, por exemplo, que automaticamente escutarão o seu podcast. 

2. Lives

Ao lado dos podcasts, o consumo de lives é um dos grandes destaques do marketing de conteúdo após o início da crise do coronavírus.

O que são lives? 

Live em inglês significa ao vivo. As lives são transmissões online ao vivo disponibilizadas através de plataformas como Youtube ou Instagram.

Os dados falam por si mesmos: 

  • As lives são o terceiro tipo de conteúdo mais consumido entre todos os entrevistados, somente atrás dos vídeos e posts de texto.
  • São, ao lado dos podcasts, o formato que mais cresceu nos últimos meses: 88% dos que afirmam assistir lives aumentaram o seu consumo depois da crise.
  • 48% passam mais de duas horas por semana consumindo lives, perdendo apenas para o vídeo.

O canal preferido dos que assistem lives é o Youtube (86%), seguido de Instagram (68%) e Facebook (57%). 

Confira este post com os principais programas para fazer lives gratuitos.

Os diferenciais deste canal

Ao contrário dos podcasts, as lives não perdem força entre os mais velhos, mantendo uma taxa constante de penetração nas faixas etárias de 26 a 65 anos, onde se concentram a maioria dos consumidores online brasileiros, como ilustram os gráficos abaixo:

tipos de conteúdo lives idade
tipos de conteúdo podcast idade

Prós

  • As lives são mais fáceis de produzir do que os vídeos. Ainda que para emitir um evento com mais qualidade sejam necessários softwares e bons equipamentos de áudio e vídeo, é possível chegar a bons resultados apenas com um celular ou tablet. Além disso, toda a parte posterior da edição fica descartada. 
  • Com as lives, você tem uma interação direta e instantânea com seu público-alvo, pode responder a perguntas e criar um ambiente de conversa que outros formatos não proporcionam. Além disso, o efeito ao vivo atrai o público: as pessoas gostam de saber que estão acompanhando algo novo e que está passando naquele momento 
  • As lives ficam gravadas e podem ser disponibilizadas na sua página ou em suas redes sociais, ganhando audiência com o tempo. Se o conteúdo da live for de qualidade, as pessoas poderão seguir vendo o material e tendo contato com a sua marca.

Desafios

  • Para investir em uma live, é preciso ter uma audiência minimamente consolidada. É como organizar uma festa de aniversário: você convida um grupo de pessoas, sabe que nem todos virão, mas não quer apagar as velinhas sozinho. Se você já trabalha com um blog ou com uma estratégia nas redes sociais, pense em como divulgará seus eventos online para que o público compareça. 
  • O aumento do número de lives gera competição. Analise o seu mercado e veja se seus competidores estão produzindo o mesmo tipo de conteúdo que você e quais são os seus resultados. Tente, com suas lives, trazer algo novo.
  • Cuidado com o efeito moda. Não invista em lives somente porque outros estão fazendo. Pense no que você pode oferecer de diferente e se tem sentido para sua marca promover esse tipo de conteúdo. Suas estratégias precisam ser sólidas para trazerem resultados. 

3. Cursos online e webinários

Entre todos os tipos de conteúdo analisados pelo Capterra, os cursos online e webinários são provavelmente os que mais exigem esforço das empresas. 

O que são cursos online e webinários?

Cursos online são oferecidos em um ambiente 100% digital, sem a presença física do aluno na sala de aula. Eles podem ser disponibilizados através de plataformas de ensino a distância ou por outros meios, como o Youtube. Já um webinário é um seminário online, também disponibilizado em diferentes plataformas.

Igualmente, estão entre os formatos que exigem mais responsabilidade das empresas, já que o público os buscará para aprender mais profundamente sobre um assunto. 

Épocas de crise são propícias para isso, já que muitos dos que perdem seus empregos, por exemplo, precisam aprender novas habilidades para sua reinserção laboral. Como muitos buscam opções grátis, a internet é uma das primeiras paradas. 

Quase 60% dos entrevistados pelo Capterra afirmam já terem acompanhado algum curso ou webinário promovido por alguma marca e 46% dos que consomem esses formatos afirmam gastar mais de duas horas por semana com eles, somente atrás das lives e vídeos. Além disso, 84% dos que acessam esses materiais online afirmam ter aumentado o consumo depois de crise do coronavírus.

Os diferenciais deste canal

Os cursos e webinários são vistos como o tipo de conteúdo em que mais se pode confiar: 47% consomem esses formatos porque os consideram entre os que trazem as informações mais completas. Entre os que consomem vídeos, por exemplo, o número cai para 34% dos consultados.  

Prós

  • Para materiais de download, funcionam como uma boa estratégia para a obtenção de leads, já que os usuários precisam deixar seus e-mails na hora da inscrição. 
  • São uma maneira de se aproximar de formadores de opinião ou especialistas  e de conectar sua marca a esses nomes. 
  • Mostram o comprometimento da sua marca com sua área de atuação e a vontade de compartilhar conhecimento, valores cada vez mais valorizados pelos consumidores. 

Desafios

  • Eventos ao vivo, por exemplo, requerem uma equipe capacitada tecnicamente e boas ferramentas, o que pode representar mais gastos.
  • Exigem um cuidado redobrado com a qualidade: se uma pessoa que busca aprender novas habilidades ou saber sobre um assunto em profundidade encontrar erros no seu material, isso pode se virar contra a sua marca.
  • Podem envolver o trabalho de pessoas externas à empresa (professores para os cursos ou convidados para os webinários, por exemplo), o que exige um bom planejamento de tempo e recursos.  

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Confira as seguintes ferramentas para produção de conteúdo que podem ajudar sua empresa a construir suas estratégias.

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Ferramentas para webinar

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Metodologia

Para reunir os dados presentes neste estudo, o Capterra realizou um levantamento online entre os dias 20 e 25 de agosto em que ouviu 1.021 consumidores com mais de 18 anos, de diferentes faixas de renda (até 1 salário mínimo, de 1 a 3, de 3 a 7, de 7 a 15, de 15 a 20 e mais de 20) e de todas as regiões do país. Os entrevistados deveriam ser trabalhadores em tempo integral ou parcial, freelancers/autônomos, estudantes em tempo integral, aposentados ou terem perdido o emprego durante a crise. O painel contou com 46% dos entrevistados do sexo feminino e 54% do sexo masculino. Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.

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