Investigamos com 3.500 tomadores de decisão de diversos países sobre quais são as projeções de investimento em tecnologia para o novo ano e que fatores devem impactar suas escolhas.

Aquisição de software de segurança de TI no Brasil em 2025 deve ser maior do que a média global

Ano após ano, a decisão por investimento em tecnologia muda devido à velocidade como o mercado de sistemas digitais evolui. 

Para 2025, os avanços tecnológicos devem ser um dos fatores externos a impactar os objetivos das companhias, levando-as a tomar importantes decisões. Uma delas é aumentar o investimento em tecnologia em relação ao que foi investido em 2024 –75% dos respondentes em nível global declararam que suas empresas gastarão mais com esse elemento.

Essa é uma das descobertas da Pesquisa de Tendências Tecnológicas 2025 do Capterra*, que traz insights sobre a aquisição de softwares neste novo ano e recomendações para os negócios acertarem na escolha de suas tecnologias.  

Aquisição de software em 2025: desafios e oportunidades

Apesar do cenário geopolítico previsto para 2025 [1], o ano desponta com certo otimismo no meio corporativo em várias partes do mundo. Empresas de diferentes portes e segmentos preveem que vão passar por algum nível de crescimento nos próximos 18 meses, de acordo com 83% dos tomadores de decisão entrevistados em nível global.

Empresas visualizam crescimento para 2025 e estão de olho nas tendências tecnológicas

Assim, com previsão de crescimento à vista, é esperado que os tomadores de decisão estejam atentos a fatores externos no mercado que possam impactar os objetivos das suas companhias, de forma a trabalhar para evitar que esses elementos tirem suas empresas da rota de expansão. 

O Capterra identificou que, em nível global, os fatores externos que podem afetar as companhias estão relacionados menos com impactos culturais ou geopolíticos (26%) e forças macroeconômicas (21%), e mais com:

  • custo e qualificação de mão de obra (44%); 
  • concorrência local, global ou setorial (49%); 
  • e, especialmente, com avanços tecnológicos (60%). 

Em relação ao último fator mencionado, aparentemente cientes das implicações em torno da evolução digital, empresas do mundo todo pretendem investir mais em software em 2025 em relação ao investimento realizado no ano anterior, conforme aponta o gráfico abaixo.

Gastos com aquisição de software em 2025

Tecnologias emergem a cada ano com uma velocidade surpreendente, muitas vezes confundido os negócios sobre em que sistemas investir. 

Frente a esse desafio, o Gartner recomenda que as companhias deixem de encarar as disrupções como uma exceção e estabeleçam um processo formal para antecipar-se, planejar e responder a tendências futuras [2].    

Essa tomada de ação significa entender as oportunidades, investigar o possível impacto dessas tendências no negócio, buscar informações em diferentes fontes e se preparar para o cenário ao desenvolver estratégias, planos operacionais ou iniciativas inovadoras.

No caso da aquisição de software, após essa observação do mercado e a decisão de investimento em uma tecnologia, é necessário realizar uma série de análises que permitam validar se o sistema cumpre requisitos específicos da companhia; entre eles, o de segurança. 

De acordo com 40% dos tomadores de decisão globais, as preocupações com segurança é o desafio que mais afeta as empresas no planejamento da aquisição de um novo software.

Portanto, na hora de selecionar uma ferramenta digital, as empresas devem investigar as possíveis vulnerabilidades da ferramenta, calcular seus riscos e verificar seu cumprimento com as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). [3] 

Empresas esperam um ROI positivo a partir de seis meses

Uma das maneiras de medir se o investimento em uma nova tecnologia foi bem-sucedido é através da análise do retorno sobre investimento (ROI). 

Os dados do Capterra mostram que os tomadores de decisão do mundo todo creem que a liderança de suas empresas não espera que o ROI positivo venha de imediato, mas, em média, em cerca de oito meses.

Algumas situações fazem com que esse período seja variável. Por exemplo, negócios que tardam cinco meses ou menos para avaliar um software esperam receber um ROI positivo em até pouco mais de seis meses, enquanto empresas que demoram mais de cinco meses na avaliação esperam esse mesmo retorno em pouco mais de dez meses.

Está claro que, independentemente do tempo, quando há investimento em um novo software é importante que os tomadores de decisão estabeleçam e avaliem métricas que possam demonstrar o valor do produto, em termos financeiros e estruturais (por exemplo, a redução de tempo em um processo de trabalho como consequência do investimento em tecnologia).

Brasil investirá mais do que a média global em segurança digital  e IA em 2025

Como vimos anteriormente, o Brasil é um dos países que também gastarão mais em software em 2025 em relação ao ano anterior, com algumas particularidades. 

Espera-se que o investimento no País em ferramentas de Tecnologia da Informação (TI), especialmente de cibersegurança, seja maior do que a média global. 

Isso porque as companhias brasileiras estão mais propensas a investir em soluções de segurança TI (45%), como cibersegurança e proteção de dados, e gestão de TI (40%) do que a média global. 

Uma das tendências de software para 2025 é o fato de o Brasil liderar a previsão de investimento em ferramentas de TI no novo ano

A questão brasileira com segurança não surpreende, visto que os brasileiros ficaram à mercê de golpes digitais nos últimos anos, sendo as pequenas e médias empresas (PMEs) uma das mais impactadas por essa situação. [4]

Portanto, não surpreende que os tomadores de decisão do Brasil tenham indicado que as ferramentas relacionadas à TI estão entre as principais prioridades no País.

Outra particularidade do Brasil é o investimento em inteligência artificial (IA), também mais alto que a média global, conforme mostra o gráfico abaixo. 

Em outro estudo, o Capterra já havia demonstrado que 67% dos usuários de sistemas de IA consideram sua produção de conteúdo melhor do que a de humanos, o que indica que não há uma resistência ao uso da tecnologia.

Tendências de software aponta investimento em inteligência artificial

Porém, se por um lado o País está na vanguarda em alguns tipos de investimentos em software, também há uma ocasião de retaguarda. Isso porque o Brasil tem uma das taxas mais baixas de investimento em ferramentas de colaboração para 2025 entre os países entrevistados –por exemplo, quase 4 de cada 10 empresas (38%) não usam esse tipo de sistema ou o estão utilizando temporariamente ou por um período não especificado de tempo. 

Esse tipo de software facilita videoconferências e conversas em tempo real, sendo especialmente útil para empresas que atuam de maneira remota ou híbrida. 

Segundo a Pesquisa sobre o Custo do Trabalho 2024do Capterra, 38% dos entrevistados brasileiros atuam em sistema remoto ou híbrido. Levando em consideração esse montante, o resultado indica que algumas empresas podem estar deixando de lado importantes possibilidades de uso da tecnologia para melhorar a organização da sua equipe.

Diferenças e aprendizados entre PMEs e grandes empresas na aquisição de softwares

Disponibilidade de informações e infraestrutura muitas vezes permitem às grandes empresas tomarem decisões mais acertadas do que companhias de menores portes. Não é que elas sejam melhores, mas a infraestrutura que têm à disposição as ajuda na tomada de decisões.

O estudo do Capterra mostra que há diferenças significativas entre empresas de diferentes tamanhos no que se refere à aquisição de softwares. A começar pelo alinhamento quanto aos principais desafios que as companhias preveem enfrentar em 2025 e nas soluções tecnológicas que elas pretendem investir no mesmo ano.

No caso das pequenas e médias empresas (PMEs), os tomadores de decisão citam a busca e gestão de talentos (36%) como o principal desafio a ser enfrentado no futuro próximo. No entanto, apenas 18% dessas empresas têm como prioridade o investimento em ferramentas de recursos humanos e talentos. 

Já entre as grandes empresas, um dos principais desafios está relacionado com a prevenção de ameaças de cibersegurança (44%), sendo as ferramentas de segurança de TI (55%) o principal investimento que desejam realizar.

Executar projetos digitais sem identificar as reais necessidades da empresa, além de contar com estratégias e objetivos pouco desenvolvidos em torno da tecnologia, podem levar ao fracasso da implementação. Por isso é importante que as empresas possuam uma visão ampla das suas necessidades.

Não por acaso, as grandes empresas estão mais propensas a estarem completamente confiantes nas suas decisões de compras do que as PMEs. Além de identificarem suas principais dores, as grandes empresas realizam uma avaliação mais profunda dos softwares.

Por exemplo, elas estão mais propensas a adicionar cinco ou mais fornecedores de software em sua lista para avaliação de ferramentas do que as PMEs, que geralmente começam com três ou menos fornecedores. 

As grandes empresas também estão mais propensas a alterar sua lista durante a pesquisa do que as PMEs. É mais provável que elas alterem sua lista de fornecedores de forma significativa ou completa em comparação com as PMEs:

Mudança na lista de análise de sistemas na aquisição de software

No geral, as grandes empresas costumam estar totalmente confiantes em suas compras de software, portanto, conhecer suas estratégias de compra pode ajudar as PMEs a melhorar seu nível de confiança e sua estratégia antes da compra de tecnologia.

Aumente as chances de acertar na aquisição de software com 5 passos importantes  

Até aqui, apresentamos o cenário da aquisição de software a partir de diferentes prismas do mercado. A partir deste ponto o objetivo é trazer dicas, com base em nossos insights, para que sua empresa possa realizar decisões mais assertivas no momento da compra de tecnologia em 2025.

1. Estruture um time de implementação de software

Monte uma equipe multidisciplinar para a avaliação de softwares definindo responsabilidades. Esse time deve incluir profissionais de habilidades técnicas e indivíduos que estarão na dianteira do uso da tecnologia. 

No Brasil, quase metade das empresas já tomam essa medida: 48% dos entrevistados brasileiros indicam que a avaliação, seleção e decisões de compra são realizadas por uma equipe formal com pessoas de vários departamentos, sendo que a média global é de 39%. 

2. Tenha cautela com as ferramentas de IA

Como vimos anteriormente, muitas empresas pretendem investir mais em sistemas de IA, especialmente o modelo generativo. Vale destacar que o uso de tecnologia de IA envolve alguns riscos. 

Muitos softwares são treinados com dados provenientes de fontes que contêm vieses não intencionais, que podem afetar os resultados gerados pelos sistemas de IA. Para mitigar os riscos, é indicado buscar com o fornecedor informações sobre as fontes de dados usadas nos treinamentos da tecnologia.

3. Busque diferentes fontes

Um total de 83% das empresas altera sua lista inicial de fornecedores após realizar uma pesquisa formal. Os compradores de software começam sua pesquisa de software com uma lista informal de 4 a 5 fornecedores e a reduzem para 3 a 4 após realizar uma pesquisa formal.

Os compradores confiantes têm maior probabilidade de serem influenciados por várias fontes de informação ao desenvolverem sua lista de opções em comparação com os compradores menos confiantes. 

4. Familiarize-se com a tecnologia 

Antes de fechar um contrato de longo prazo, conheça a tecnologia. Fornecedores costumam oferecer a possibilidade de o cliente acessar a ferramenta através de um teste durante um curto período de tempo ou por uma demonstração do produto –inclusive, essa ação já foi tomada no passado por 62% e 54% dos tomadores de decisão globais, respectivamente. 

Trata-se de uma oportunidade para tirar qualquer dúvida do produto e analisar como aquele novo sistema poderia integrar a empresa e quais seriam as organizações necessárias.

5. Veja o que outros usuários têm a dizer

As resenhas de usuários dão uma real dimensão das facilidades e dificuldades enfrentadas pelos usuários das ferramentas na prática. De fato, 42% dos compradores globais que se consideram confiantes sobre sua escolha realizada na compra de software mais recente indicam que as avaliações dos clientes são uma fonte influente de informações quando desenvolvem sua lista de opções.

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Metodologia

A Pesquisa de Tendências Tecnológicas 2025 do Capterra foi realizada on-line em agosto de 2024 entre 3.500 entrevistados nos EUA (n=700), Reino Unido (n=350), Canadá (n=350), Austrália (n=350), França (n=350), Índia (n=350), Alemanha (n=350), Brasil (n=350) e Japão (n=350), em empresas de vários setores e tamanhos (5 ou mais funcionários). A pesquisa foi elaborada para entender o cronograma, os desafios organizacionais, a adoção e o orçamento, os comportamentos de pesquisa de fornecedores, as expectativas de ROI e os níveis de satisfação dos compradores de software. Os entrevistados foram selecionados para garantir seu envolvimento nas decisões de compra de software empresarial.

Fontes

  1. Os 3 principais riscos para o crescimento da economia mundial, CNN Brasil
  2. Preparing for a Future of Continuous Disruptions, Gartner (conteúdo em inglês disponível para assinantes)
  3. O que é a LGPD?, Ministério Público Federal
  4. Pequenas e médias empresas são as maiores vítimas dos crimes cibernéticos, Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)