Open banking: PMEs ainda não estão convencidas a usar serviços de fintechs

Publicado em 31/08/2021 por Marcela Gava

Depois de abordar o conhecimento das pequenas e médias empresas (PMEs) sobre open banking, na segunda parte do levantamento do Capterra analisamos a disposição das PMEs em contratar serviços financeiros fornecidos por fintechs.

Mesmo com open banking, fintech não parece ter adoção generalizada pelas PMEs
As fintechs são um dos principais negócios que irão se beneficiar da implementação do open banking no Brasil, novo sistema de compartilhamento de dados lançado pelo Banco Central do Brasil (BC) em 2021. Por terem acesso a dados bancários de seus clientes mediante autorização, as fintechs poderão diversificar a oferta de produtos financeiros oferecida. 

O que é uma fintech?

O termo fintech é abreviação de tecnologia financeira (financial technology, na versão em inglês). Segundo definição da Gartner, este tipo de companhia promove inovação no setor financeiro usando tecnologia:

A Fintechs pode mudar fundamentalmente a forma como os produtos e serviços de uma instituição de serviços financeiros são criados, distribuídos e geram receita.”

As fintechs são responsáveis pela criação de produtos financeiros, que podem ser acessados através de plataformas digitais.

A popularização deste tipo de empresa deu novas possibilidades a empreendedores de pequenas e médias empresas (PMEs) de acesso a serviços que antes estavam relacionados a grandes empresas, como o uso de maquininhas ou acesso a crédito.

No geral, os serviços são contratados via canais digitais e possuem menos burocracia na contratação, muitas vezes com a isenção de taxas e tarifas.

As fintechs podem ser um serviço ou um software na nuvem, como sistemas de pagamentos e de contabilidade ou ERPs, por exemplo.

No entanto, entre as PMEs brasileiras, a adesão a fintechs ainda não é generalizada, já que apenas 45% delas declararam possuir serviços ou produtos financeiros contratados em companhias do tipo. 

Este dado compõe a nova pesquisa do Capterra, que investigou a adesão das PMEs aos serviços de fintechs, com base na recente implementação do open banking no Brasil. Para o levantamento, entrevistamos 495 profissionais de PMEs com cargo de gerência ou que trabalhassem diretamente no setor de finanças ou contabilidade de suas empresas (confira a metodologia completa no final do texto).

Quantidade de PMEs que possuem serviços contratados em fintechs

O resultado da pesquisa do Capterra aponta que a adesão a fintechs ainda parece ser tímida. Tal fato surpreende especialmente porque o Brasil é o maior mercado de fintechs na América Latina, sendo a cidade de São Paulo o quarto maior ecossistema do mundo para este tipo de negócio.

A maioria aderiu a serviços de fintech há um ano ou mais

Os dados do Capterra mostram que a relação entre as PMEs e as fintechs parece vir de um tempo. Das PMEs que possuem relacionamento com fintechs (45%), aderiram a este tipo de companhia há um ano ou mais. A minoria são os que contrataram recentemente, em menos de três meses, totalizando 6% dos entrevistados.

Tendência semelhante foi apontada por outra pesquisa realizada pelo Capterra em junho de 2020 para analisar a adesão das PMEs ao serviço de fintechs. Naquele momento, das empresas que declararam ter contratado serviços ou produtos de fintech, 47% havia contratado há um ano ou mais, enquanto apenas 14% disse ter contratado tais serviços nos últimos três meses. 

Esse movimento pode ser reflexo do impacto causado pela pandemia de COVID-19 nas PMEs, que exigiu não somente cautela mas também estratégia na adoção de novas tecnologias para gestão financeira. 

Logo no início da crise sanitária, o Capterra investigou como a pandemia influenciou a digitalização das PMEs. Naquele momento, em termos corporativos, a principal preocupação dos gestores de PMEs era manter a produtividade dos funcionários. Tanto é que, na época, as duas principais ferramentas introduzidas programa de assistência remota (54%) e software de videoconferência (36%) estão relacionadas à melhoria da dinâmica do trabalho remoto. 

Em última posição estão os sistemas de contabilidade (15%), indicando que a digitalização do setor financeiro não entrou no radar como uma prioridade em consequência da crise sanitária.

Bancos digitais e tradicionais: satisfação é a mesma

Os entrevistados foram questionados sobre o nível de satisfação com os serviços que a empresa tem contratado com bancos. Em relação aos bancos digitais, 46% disseram que a satisfação é alta ou muito alta. Já sobre as instituições financeiras tradicionais, o nível de aprovação é de 48%, mostrando que, entre as PMEs, não há uma impressão de melhoria do serviço quando se compara um modelo ao outro. 

Softwares que as PMEs usam na gestão financeira e contábil

Atualmente, quase metade das PMEs entrevistadas (45%) declarou possuir de 2 a 3 softwares para auxiliar a gestão contábil, fiscal e financeira; por outro lado, 26% disseram utilizar apenas um software para agilizar tarefas do setor. 

Das PMEs que possuem softwares implementados, os mais utilizados são:

Conheça os principais softwares usados pelas PMEs em tarefas fiannceiras

Uma vez que já possuem relacionamento com empresas de tecnologia da área financeira, o Capterra quis entender se as PMEs estão dispostas a compartilhar dados, dentro do modelo open banking, com esses sistemas.

No entanto, nem um relacionamento prévio convence totalmente as PMEs ao compartilhamento de informações financeiras, já que a maior parte (56%) dos entrevistados se sente moderadamente propenso a compartilhar dados com um sistema que já utiliza.

Em termos de segurança, o Banco Central, gestor do sistema open banking, garante que todas as transações acontecem em um ambiente seguro, com diversas camadas de segurança que exigem tanto autenticação do consumidor quanto da empresa participante.

Os tipos de fintechs da área financeira

  • Contabilidade: plataformas voltadas para o controle contábil das empresas, que pode ser realizado através de sistemas de gestão empresarial e sistemas de contabilidade.
  • Gestão financeira: plataformas voltadas para o controle financeiro das empresas, que pode ser realizado com o uso de sistemas de gestão financeira.
  • Pagamentos: os sistemas de pagamentos estão relacionados a serviços que intermediam transações financeiras.

A chegada do open banking não motiva a contratação de fintechs

O lançamento do open banking e todas as possibilidades de serviços e produtos que o sistema traz consigo poderia empolgar empreendedores de PMEs na contratação de fintechs; no entanto, neste momento, os dados apontam para a direção oposta.

Isso porque apenas 37% dos entrevistados consideram alta ou muito alta a probabilidade de suas empresas contratarem os serviços de uma fintech nos próximos 12 meses. Já 34% declararam que consideram “média”, demonstrando que ainda há espaço para serem convencidos. Já a quantidade que considera a probabilidade baixa ou muito baixa alcança os 26%. 

Outro dado reforça que a implementação do open banking demonstra empolgar timidamente as PMEs na adoção de serviços financeiros digitais. Apenas 4 de cada 10 entrevistados consideram alta a influência do open banking na sua motivação em contratar os serviços de uma fintech. 

Probabilidade de o open banking influenciar na escolha das PMEs por fintechs

Vale lembrar que no Reino Unido, referência na implementação do open banking, o sistema teve uma adoção gradual. Implementando no início de 2018, o open banking britânico somente registrou um aumento considerável de transações dentro do sistema em janeiro de 2020, quando alcançou 1 milhão de operações, o dobro se comparado com os seis meses anteriores, segundo dados da Época Negócios.

A mesma reportagem mostra a quantidade de empresas registradas no sistema open banking: o número saltou de 204 registros em 2019 para 260 em 2020, um aumento de 27%.

O futoro das fintechs

Um dos objetivos da implementação do open banking é promover a descentralização dos serviços financeiros, que antes ficavam concentrados em bancos tradicionais estima-se que apenas 5 bancos concentram 85% do mercado no país

Embora a adesão às fintechs ainda seja razoável, como mostram os dados do Capterra, novos serviços e produtos podem fazer com que este modelo de negócio decole e conquiste o espaço rapidamente.

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Metodologia:

Para reunir os dados presentes neste estudo, o Capterra realizou um levantamento online entre os dias 9 e 16 de julho em que ouviu 495 profissionais de pequenas e médias empresas de diferentes setores de todo o País. Os entrevistados eram proprietários das empresas ou ocupavam cargos de gerência e eram responsáveis pelas áreas financeira e de contabilidade ou eram envolvidos diretamente na tarefa. Os resultados são representativos da pesquisa, mas não necessariamente da população como um todo.

Esse artigo pode se referir a produtos, programas ou serviços ainda não disponíveis em seu país, ou pode ter restrições legais ou regulatórias. Sugerimos que você consulte o provedor de software diretamente para informações sobre disponibilidade do produto ou conformidade com as leis locais.

Sobre o(a) autor(a)

Analista de conteúdo do Capterra, cobre as tendências de tecnologia e inovação. Jornalista com mestrado em comunicação pela UAB, de Barcelona. Gosta de criar playlists aleatórias.

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